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Mais um ano se passou e é preciso
tecer alguns comentários do que esperar para 2010, mesmo que ainda
seja prematuro para alguns qualquer sinalização mais concreta.
É consenso que 2010 será o ano do crescimento sustentado pela
expansão da demanda doméstica. Em 2009 o desempenho da economia já é
dado. Começou muito fraca, com as incertezas no ar adiando muitos
investimentos e fecha o ano em boa expansão, com crescimento previsto
em torno de 3,0% no último trimestre, o que deve trazer o PIB para um
desempenho entre negativo em 0,2% ou na estabilidade. Neste cenário, o
efeito carregamento (carry over) previsto deverá gerar um crescimento
em 2010 acima de 5%, com nossa projeção prevista para 5,4%. No
terceiro trimestre, o crescimento acabou aquém do esperado, apenas
1,3%, em função do fraco desempenho do setor agrícola, mas com o
consumo e os investimentos retornando;
No desempenho de 2010, o PIB deve crescer forte no primeiro
semestre, até pela base de comparação favorável, para perder força no
semestre seguinte, em função deste mesmo fator, mas suficiente para um
crescimento próximo a 5,4%, com destaque para a recuperação do PIB
industrial, crescendo 7%, mesma toada do setor agrícola. No setor
industrial, a construção civil deve vir como destaque, assim como o
segmento de duráveis, com a forte recuperação da indústria
automobilística, cerca de 5% do PIB, possível pelo boom de crédito
doméstico, estimado acima de 50% do PIB neste ano;
Além do consumo doméstico, com destaque para o setor privado, os
investimentos também devem dar sua contribuição para o crescimento de
2010. Estimativas indicam um volume em torno de R$ 29,9 bilhões para
os projetos do PAC, com estimadas 16,6 mil obras. Neste caso, destaque
deve ser dado a transposição do Rio São Francisco e as obras das
hidrelétricas de Rondônia, a Jirau e a Santo Antônio. O Orçamento
Geral da União planejou R$ 57,53 bilhões para obras de infraestrutura
em 2010. Sobre o volume de investimento em relação ao PIB, no terceiro
trimestre estes fecharam em 17,7% do PIB, mas precisam passar de 20%
para o crescimento seja sustentável;
A oferta de crédito deverá ser o grande motor da economia brasileira
em 2010, devendo crescer entre 15% e 20%. Dentre as modalidades de
crédito em destaque, o imobiliário deve liderar seguido por veículos e
o crédito consignado. Os bancos buscarão linhas com maiores garantias,
o que deve beneficiar o setor imobiliário. Este é considerado o último
elo na cadeia do crédito, retomando em função da recuperação da
confiança dos consumidores. A tendência é de que dobre ao longo de
2010. Este volume de crédito, no entanto, ainda é insuficiente, se
comparado a outros países, como nos EUA onde o crédito já passa dos
100%. Com isto, o risco de bolhas acaba se tornando uma realidade,
como o ocorrido no ano passado, com o mercado imobiliário. Isto ainda
está distante no Brasil, onde o crédito imobiliário não deve passar de
6% do PIB, havendo potencial de expansão, desde que não haja abusos;
Em novembro, o volume de crédito na economia chegou a 44,9% do PIB,
superando o mês anterior (44,6%), com os bancos públicos expandindo
fortemente suas operações, passando de 13,8% do PIB em novembro do ano
passado para 18,4%. Neste mesmo período, o crédito dos bancos privados
nacionais passou de 16,8% para 18,2% e dos estrangeiros se manteve
estável em 8,3%. Sobre as modalidades de crédito, as direcionadas para
pessoa física avançaram mais do que as para pessoa jurídica, até pela
forte demanda por bens duráveis neste final de ano;
EVOLUÇÃO DO CRÉDITO PARA PESSOA FÍSICA E JURÍDICA
Com o crédito devendo se expandir
fortemente em 2010, as vendas do comércio se destacarão, assim como a
produção industrial, alavancando o retorno dos investimentos, a
construção civil e o setor de bens duráveis. No varejo, as vendas
devem fechar 2009 em expansão de 6%, avançando ainda mais em 2010, com
crescimento de 7%. Já a produção industrial, depois de recuar cerca de
8% neste ano de 2009, deve avançar no mesmo patamar do varejo, cerca
de 7%;
No mercado de ativos, a bolsa de valores, depois de crescer cerca de
80% em 2009, deve perder um pouco de força em 2010, mas ainda deve
fechar em queda, com uma expansão próxima a 25%, elevando o índice
Ibovespa a cerca de 85 mil pontos. Já no mercado de renda fixa, as
perspectivas tendem a ser favoráveis, diante da possível elevação do
juro pelo BACEN. Como teremos muita volatilidade nos mercados, em
função das várias incertezas nas operações de desmonte das políticas
de estímulo dos países ricos, e o risco da inflação, diante da demanda
agregada em aceleração, a renda fixa deve ganhar atratividade para
2010. Este movimento de elevação do juro deverá ser, inclusive,
gradual ao redor do mundo, diante da possibilidade de uma demanda
asiática aquecida, elevando a cotação das commodities agrícolas e
minerais e gerando pressões inflacionárias;
Sobre a taxa de câmbio, com a recuperação da economia
norte-americana, e uma possível elevação do Fed Funds em algum momento
de 2010, é possível um refluxo no ingresso de recursos externos aos
emergentes, o que deve pressionar um pouco a nossa moeda. Mesmo assim,
ainda estimamos o dólar entre R$ 1,75 e R$ 1,80 para o próximo ano até
porque o Brasil continua como o mercado mais promissor entre os
emergentes;
No que se refere à política monetária do BACEN, toda cautela deverá
ser pouca diante de uma demanda agregada em forte expansão. É possível
uma puxada na taxa básica de juros, atualmente em 8,75%, podendo
fechar o ano em 10%. Outros instrumentos deverão ser usados, como
elevação do compulsório para depósitos a vista e a prazo, além da
mexida na taxa de redesconto.
Sobre as contas externas e fiscais, as primeiras devem se manter em
deterioração no ano que vem, até porque as importações devem crescer
muito, com a apreciação cambial e o ritmo mais agudo da atividade
econômica. Estimamos um saldo negativo em conta corrente, em torno de
US$ 34 bilhões, acima de 2% do PIB. Sobre a gestão fiscal, a meta de
um déficit nominal zerado ao fim deste ano se torna cada vez mais
distante diante do desempenho recente das contas públicas. O déficit
nominal foi a R$ 2,4 bilhões em novembro passado, acumulando em 12
meses déficit de 4,14% do PIB, bem acima do registrado em outubro do
ano passado (1,27%). Pelo lado primário, com os ganhos de arrecadação
federal, o superávit primário registrou R$ 12,7 bilhões, acumulando no
ano saldo positivo de R$ 64,2 bilhões ou 2,25% do PIB. Para 2010 a
meta fiscal do governo é obter saldo positivo de 3,3% do PIB,
excluindo os investimentos do PAC.
INDICADORES CHAVES DA ECONOMIA PARA 2010
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2007 |
2008 |
2009* |
2010* |
|
Crescimento do PIB |
6,1% |
5,1% |
0,2% |
5,4% |
|
IPCA |
4,46% |
5,90% |
4,35% |
4,50% |
|
Taxa de câmbio (R$) |
1,7713 |
2,3370 |
1,7200 |
1,7500 |
|
Taxa de juros (básica) |
11,25% |
13,75% |
8,75% |
10,00% |
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