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Inadimplência das empresas avança

29 JUN, 2018 / POR: Agência Enfoque

                                   

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram que o número de empresas com dificuldades em pagar as contas segue crescendo no país. Dados do Indicador de Inadimplência mostram que, no último mês de maio, frente ao mesmo período do ano passado, cresceu 9,37% o volume de empresas que tiveram o CNPJ negativado em virtude do não-pagamento de contas. Trata-se do maior crescimento observado na série histórica desde setembro de 2016, quando a alta apurada havia sido de 9,61%. Na comparação com o mês anterior, sem ajuste sazonal, isto é, entre abril e maio deste ano, a alta da inadimplência das empresas foi de 0,73%.

Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, a saída da recessão ainda não se reflete em melhoras inequívocas na gestão financeira das empresas:

'Apesar de a taxa Selic estar em seu piso histórico, os spreads bancários ainda são altos, o que inviabiliza um custo menor do crédito nas operações do dia a dia dos empresários. Além disso, o desemprego elevado desaquece as vendas, diminuindo a margem de lucro das empresas, assim como a perspectiva de investimentos', explica o presidente.

A alta da inadimplência entre as empresas foi puxada principalmente pela região Sudeste, cujo crescimento foi de 16,54% na comparação entre maio de 2018 com o mesmo mês do ano passado.Explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti:

Em segundo lugar ficou a região Sul (4,92%), seguida do Centro-Oeste (3,80%), Nordeste (2,94%) e Norte (2,10%). 'Até o final do ano passado, vigorava uma lei no Estado de São Paulo que condicionada qualquer negativação de CNPJ ao envio de uma correspondência com aviso de recebimento. Como é um recurso mais custoso do que uma carta simples, algumas empresas deixaram de registrar casos de inadimplência. Quando a lei foi derrubada, os registros passaram a ser inseridos na lista de devedores de forma mais abrupta, causando um crescimento acentuado do indicador nesta região', explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O crescimento da inadimplência em maio foi mais expressivo entre as empresas do ramo de serviços, cuja alta foi de 12,62%. O comércio (6,92%) aparece em segundo lugar, seguido das indústrias (5,78%). O único setor a apresentar queda na quantidade de empresas com contas em atraso é o ramo da agricultura, que apresentou um recuo de -4,02% em novas negativações.

Em média, cada empresa inadimplente possui duas dívidas em aberto. De acordo com o indicador, a quantidade de dívidas em nome de pessoas jurídicas também cresceu em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado: alta de 7,94%.

Considerando os segmentos credores, ou seja, aqueles que deixaram de receber por uma dívida, o destaque ficou por conta do segmento de serviços, que engloba bancos, financeiras e empresas de seguro, com alta de 9,79% no período. As indústrias são o segundo ramo que mais deixou de receber (7,45%), seguidas do comércio (3,42%).

O ramo da agricultura é, mais uma vez, o único segmento que apresentou queda, nesse caso, de -5,14%. No total, em cada dez dívidas em nome de pessoas jurídicas no Brasil, sete (70%) são devidas em empresas de serviços. Outros 17% estão concentradas no comércio, enquanto 12% tem como principais credores as indústrias.

Outro dado apurado pelo SPC Brasil e pela CNDL é o Indicador de Recuperação de Crédito. Nesse caso, houve uma tímida melhora: no acumulado dos últimos 12 meses, cresceu apenas 0,39% o volume de empresas que saíram da lista de inadimplentes mediante o pagamento das contas que estavam em atraso.

A alta da recuperação de crédito em maio foi puxada, sobretudo, pela região Sudeste onde a quitação de dívidas cresceu 5,32% no acumulado de 12 meses. Por outro lado, nas demais regiões houve quedas. A mais acentuada foi observada no Sul (-6,53%), seguido do Norte (-3,84%) e Centro-Oeste (-2,23%).

Para a economista Marcela Kawauti:

'O crescimento modesto da recuperação de crédito reflete a tímida melhora da economia como um todo. No período mais crítico da recessão, o volume de quitação de dívidas caiu seguidamente, mas agora mostra tendência de melhora, ainda que de forma lenta. Para os próximos meses, o avanço mais vigoroso das recuperações depende de uma aceleração do ritmo de retomada econômica, o que ainda não se projeta no atual cenário', analisa.
Fonte: Agência Enfoque