Itaú vê corte de 100 pontos-base em maio, mas não descarta redução menor

29 MAI, 2017 / POR: GUSTAVO KAHIL/MONEY TIMES -

A nova crise política em Brasília começa a afetar as projeções econômicas de bancos e analistas. Nesta sexta-feira, o Itaú deixou de lado a expectativa de que o Copom corte a Selic em 125 pontos-base (p.b.) em sua próxima reunião no dia 31 de maio e o faça com um ímpeto menor de 100 p.b. A incerteza também levou o economista-chefe, Mário Mesquista, a elevar a projeção para o juro no final do ano de 7,5% para 8%.

"Obviamente, a decisão do comitê está sujeita a novos acontecimentos no âmbito político. Em particular, se até a data da reunião observarmos novos eventos que piorem a perspectiva de aprovação de reformas e elevem os prêmios de risco sobre ativos brasileiros, não se pode descartar uma redução moderada do ritmo de corte de juros, embora este não seja nosso cenário-base", explica.

O banco afirma que o choque sentido pelo mercado pode ser potencialmente recessivo e inflacionário para a economia brasileira. A conta para a economia real chegará pelo aumento da cautela dos agentes econômicos, avalia o Itaú.

"Por sua vez, o potencial efeito inflacionário do choque só será significativo se houver uma depreciação cambial mais intensa e persistente do que a ocorrida até agora. Dado o efeito ainda incerto do choque atual, o cenário base permanece de atividade econômica fraca e desinflação. Esse cenário justifica a continuação do ciclo de afrouxamento monetário", ressaltam os economistas.

PIB

O Itaú, em um relatório separado, diminuiu a projeção para o crescimento da economia no primeiro trimestre de 1,4% para 1,1% (na comparação com o quarto trimestre de 2016) devido aos dados mais fracos do mês de março.

"Em março, a produção industrial recuou 1,8%, a receita real de serviços recuou 2,3% e as vendas do varejo (conceito ampliado) recuaram 1,9%, todos na comparação da série dessazonalizada ante o mês anterior. Todos os resultados ficaram abaixo da mediana das projeções e das nossas projeções", pontua o economista Artur Manoel Passos.