| Análise das últimas atas do Copom: com “parcimônia”, é claro! | Índice | |
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A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), realizada no dia 19 de julho, assim como todas anteriores, esclarece o porquê da decisão em relação à taxa de juros naquela data. Pois bem, falando sobre a ata divulgada dia 27 de julho “deciframos” o que está nas “entrelinhas” da ata do Copom. Acreditamos que seja exatamente esse o objetivo da autoridade monetária, pois ao esclarecer como está pensando, o Copom busca ser mais transparente e, assim, alcançar mais credibilidade junto aos agentes econômicos. Ao voltar a colocar a palavra “maior”, antes de parcimônia na última ata a autoridade monetária deu sinais que pode baixar menos a taxa selic na próxima reunião no dia 29 de agosto de 2006. Ou seja, a idéia é de que a taxa seja reduzida 25 p.b., pois peguemos trechos das três atas anteriores a de julho/06 (março/06, abril/06 e maio/06), comparando com as respectivas decisões. Na ata de março, viu-se que não houve unanimidade entre os membros do colegiado e, esses, tinham dúvidas sobre a magnitude das últimas reduções da taxa Selic, até divergindo sobre o percentual a ser reduzido, dando margem para especulações em torno do que seria a próxima decisão. Já na ata de abril, foi introduzida uma expressão que chamou bastante atenção: “maior parcimônia”. “Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, (...) a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007”. Além da expressão, a autoridade monetária começou a demonstrar preocupação com os desdobramentos da política monetária na inflação de 2007. Na decisão de maio, o Copom “cumpriu a palavra”, e reduziu menos a taxa selic. Em abril, a autoridade monetária tinha reduzido a taxa de 16,50% a.a. para 15,75% a.a., 75 p.b. Já na ata de maio, a redução foi de 50 p.b.(maior parcimônia), indo de 15,75% a.a. para 15,25% a.a. E a ata dessa decisão também trouxe uma sinalização importante para o mercado, no que diz respeito ao que seria a próxima decisão em julho. Assim “Tendo em vista as incertezas (...) a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007”. Em julho, mês da última reunião, voltou a “cumprir a palavra” expressa na ata de maio, reduziu de 15,25% a.a. para 14,75% a.a., 50 p.b.(parcimônia). Ou seja, diminuiu a taxa selic na mesma magnitude de maio. Então, como mencionado anteriormente, ao colocar a palavra “maior”, antes de parcimônia na última ata a autoridade monetária sinalizou que poderá reduzir menos a taxa selic na próxima reunião no dia 29 de agosto de 2006. Isto é, a idéia é de que a taxa seja reduzida 25 p.b. Trecho da ata de julho “Tendo em vista os estímulos já existentes para a expansão da demanda agregada, as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia”. Além do destaque no que tange à volta da palavra “maior” antes de “parcimônia”, que é mencionado na parte onde o Copom explica a implementação da política monetária, cabe destacar como ele está avaliando a evolução recente da economia, bem como a avaliação prospectiva das tendências da inflação. Isso porque não se analisa o que a autoridade monetária está pensando sobre o presente e o futuro da economia, olhando somente se colocou ou retirou uma palavra. Quanto à evolução recente da economia, o Copom avalia que o cenário é favorável. O comitê acredita que economia irá crescer com inflação sob controle. Isso se deve aos melhores fundamentos da economia, desse modo, tendo maior resistência a choques. Um reflexo disso pôde ser visto através da desvalorização do real frente ao dólar, após o Banco Central norte-americano (Federal Reserve – FED) mostrar que continuaria o aperto monetário no dia 10 maio, pois moedas de outros países emergentes tiveram desvalorização maior que o real frente ao dólar. No entanto, o Copom avalia que “Persiste um maior grau de incerteza em relação à duração e à intensidade do ciclo de ajuste monetário nos EUA”. E “Outra fonte de preocupação no que diz respeito ao ambiente internacional são os preços do petróleo(...) as previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza, mas parecem menores as chances de um retrocesso significativo das cotações. Assim, conforme destacado nas Notas das últimas reuniões, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2006, vem se tornando progressivamente menos plausível, e, portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização. (...) a elevação dos preços internacionais do petróleo se transmite de qualquer forma à economia doméstica, em parte, através de cadeias produtivas como a petroquímica, e também pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos”. Então de acordo com o Copom existem riscos importantes no cenário internacional, mas ele acredita que isso terá caráter transitório. Mas, a avaliação de que não haveria reajustes no preço da gasolina ficou “menos plausível”. No que tange a avaliação prospectiva das tendências da inflação, vê que de acordo com o cenário de referência e a projeção para o IPCA em 2006 permanece abaixo dos 4,50% estipulados pelo CMN para este ano. Para 2007, “a projeção de inflação segundo o cenário de referência apresentou elevação em relação ao valor obtido em maio, permanecendo ainda abaixo de 4,5%. Para o cenário de mercado, a projeção manteve-se relativamente estável, acima do valor central da meta estabelecida pelo CMN”. Em suma, analisando as atas anteriores a de julho e, principalmente, esta última, e caso o cenário econômico se mantenha benigno, espera-se que o Copom reduza mais uma vez a taxa de juros, mas com “maior parcimônia”. No entanto, caso haja uma mudança significativa no ambiente econômico, acreditamos que a autoridade poderia parar o processo de flexibilização da política monetária. |
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* Marco Martins: mmartins@geralasset.com.br, Economista da Geral Asset Management Ltda e mestrando em economia do desenvolvimento na PUCRS |
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