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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

28 MAIO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (21), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,51%, para 2,50% e manteve a de 2019 em 3,00%. A evolução descendente do PIB, revelada semanalmente pela pesquisa Focus, é uma inequívoca demonstração da estagnação da nossa economia. A expectativa de crescimento da economia este ano, conforme pesquisa de janeiro era de 2,66%, passando a 2,89% em fevereiro e caindo a 2,5% esta semana. Esse retrocesso se explica pela queda 0,13% da atividade econômica do primeiro trimestre deste ano, contrariando expectativa do mercado. Por outro lado, a taxa de desocupação aumentou 1,3% no primeiro trimestre, levando o desemprego a atingir 13,7 milhões de trabalhadores, especialmente nas áreas da construção civil, da indústria e do comércio, conforme avaliação do IBGE. A queda dos juros resultante da política do Banco Central não foi capaz de resolver o problema de oferta de crédito, prejudicando a retomada do desempenho da construção civil que encerrou o trimestre com retração de 0,6%, conforme acompanhamento do Ipea, apresentando ociosidade da ordem de 40%, segundo cálculo da CNI. A indústria é outro setor que revela queda de 0,1% no primeiro trimestre, frustrando expectativa de analistas que estimavam crescimento de 0,5% no período. O setor de serviços que representa 70% do PIB apresentou queda de 1,5% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2017, segundo dados do IBGE. Adicionem-se a estes insucessos os problemas de insegurança política alimentados no período eleitoral em razão do deplorável elenco de candidatos presidenciais, revelados nas pesquisas que a cada edição aumentam mais os temores da sociedade brasileira consciente e da iniciativa privada geradora da renda nacional. A retomada do crescimento econômico, infelizmente, será mais lenta do que estima o mercado e exige a situação econômica do país.


Inflação

Alterada a estimativa de inflação de 2018 de 3,45% para 3,50% e a de 2019 de 4% para 4,01%. A expectativa de inflação da Focus para este ano, caiu de 3,95% em janeiro para 3,45% dia 14 de maio. O resultado da pesquisa esta semana revela sensível mudança na inflexão da curva de estimativa do IPCA provocada pela desvalorização cambial.

A desvalorização do real deve se manter ainda por algum tempo decorrente de motivos externos e internos fazendo com que o consumidor projete com mais rigor sua expectativa de inflação para este ano, que em janeiro era da ordem de 4%, conforme a FGV, subindo para 5% hoje com viés de alta para 6%. A apreciação do dólar ante as principais moedas mundiais, fruto do crescimento da economia americana e da alteração do ritmo de alta da taxa de juros para evitar repercussão negativa na sua inflação, não deve arrefecer no curto prazo. O refluxo dos dólares investidos em mercados de países emergentes mais rentáveis contribui para a desvalorização do real e para o aumento de preços de produtos e insumos importados, como o do barril de petróleo, por exemplo, realimentando o processo inflacionário.

O IBGE divulgou quarta-feira (23) o IPCA-15, índice considerado prévia da inflação, do mês de maio, de 0,14%, inferior aos 0,21% do mês de abril, menor taxa para o mês desde o ano 2000 e muito inferior às estimativas de analistas. No acumulado do ano o IPCA-15 é da ordem de 1,23% e nos últimos doze meses, de 2,70%. Os últimos acontecimentos referentes à desvalorização cambial e ao aumento do preço dos combustíveis, que paralisou o país, não foram captados pelo índice, mas vão alterar significativamente sua próxima edição. O futuro da taxa anual de inflação entrou em cenário de pouca visibilidade e difícil percepção.


Juros

Mantida a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,25% e a de 2019 em 8,00%.

A reação da economia americana e a aversão à inflação levaram o FED a alterar a frequência de correção da taxa de juros, preocupando os países emergentes, destino dos investidores em busca de maior rendimento. A reação dos emergentes foi elevar a taxa de juros internos a fim de minimizar os efeitos do retorno de dólares às origens em busca de melhor retorno com mais segurança. O risco de maior evasão de divisas no nosso caso, com a taxa de juros em queda constante, levou o Copom a manter a taxa Selic em 6,5%, cancelando previsão de corte de 0,25% na sua última reunião.

A tendência hoje, no nosso entendimento, é a de que a taxa Selic se mantenha no nível atual com viés de alta em razão da situação geopolítica externa e dos imbróglios internos decorrentes do período eleitoral e do preço do petróleo.


Dívida Pública

A Boletim Focus manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e de 2019 em 57,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista