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Qual a melhor postura de investimentos para os próximos 6 meses?

PUBLIEDITORIAL / 28 MAR, 2018 / POR: ALEXANDRE PRADO*

                                   

Os próximos meses serão permeados de eventos importantes para a economia brasileira e mundial. Por aqui, o principal deles, será a eleição presidencial num contexto marcado pela corrupção e incertezas jurídicas, gerando a cisão ideológica do país e com dois favoritos, o ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro. Mas, não podemos deixar de considerar, como uma economia globalizada em que vivemos, que as eleições na Rússia, México, Venezuela, Colômbia e Cuba, entre outros, também nos afetam. Até a realização da Copa do Mundo de Futebol, na Rússia, gera impactos na economia mundial e brasileira.

Trazendo para a realidade puramente brasileira, vivemos em um contexto econômico com a taxa básica de juros (SELIC) em 6,5% ao ano, inflação sob controle, câmbio razoavelmente estabilizado na faixa dos R$ 3,30 para cada US$ 1,00 e um macro cenário de expectativa positiva em relação à retomada da economia, ainda que mais lentamente do que o desejado.

As perguntas que surgem são: o que fazer com meu dinheiro pelos próximos meses? Onde investir para os próximos seis meses? Vamos a algumas dicas!

Com a Selic em seu menor patamar na história, a POUPANÇA ficou mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxa de administração salgada. Simulação feita pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) indicou que fundos com taxa de até 0,5% ao ano têm rentabilidade maior que a da poupança; a poupança empata com fundos com taxa de 1% ao ano em caso de resgate em até seis meses e perde se o prazo for superior a esse período; e também empata também com fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito entre um e dois anos, e perde se o dinheiro for sacado acima de dois anos. Não é das minhas aplicações preferidas mas, é incontestável que é uma das possibilidades conservadoras que existem.

A LCI (LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO) é um investimento onde créditos são convertidos para o financiamento de imóveis. Esses créditos são oferecidos pelas instituições financeiras, o investimento é isento do imposto de renda e ainda conta com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) que se responsabiliza pelas eventuais perdas de até R$ 250 mil. Têm liquidez que varia entre 3 e 24 meses. Apesar de ser uma boa alternativa a curto prazo, eles rendem melhor quando há pouca liquidez — ou seja, no longo prazo. Nesse contexto, alguns LCIs podem ter uma liquidez não tão imediata, fique atento.

Os CDBs (CERTIFICADOS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS) são também uma boa opção no curto prazo. Eles são seguros e, se comparados com a poupança, tendem a render mais. Também são garantidos pelo FGC. Mas deve-se ficar atento, pois incidem imposto de renda sobre a rentabilidade auferida e a variação depende do tempo de resgate da liquidez. Se o resgate ocorrer em até 180 dias, o desconto é de 22,5%, se forem feitos saques entre 181 e 360 dias, o desconto é de 20%. Caso você resgate valores entre 361 e 720 dias, a taxa é de 17,5% e, acima de 720 dias, 15%. Assim, buscar títulos de bancos pequenos e médios, que paguem o total do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), ou próximo disso, pode ser uma boa estratégia.

Os FUNDOS MULTIMERCADOS devem ter bom desempenho neste ano. Eles ficam no meio do caminho entre os investimentos ultraconservadores e os mais arriscados, como ações e câmbio. No entanto, a administração desses fundos investe os recursos em ativos de renda fixa e de renda variável, e pode fazer modificações na carteira ao longo do tempo para acompanhar movimentos de mercado para evitar volatilidade ou tentar ganhar mais. Além disso, como a possibilidade de flexibilidade e diversificação é maior, podem ter exposição a ativos do exterior, se beneficiando de oportunidades no mercado internacional.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou 2016 com ganho acumulado de quase 39% e 2017 próximo a 27%. Como a expectativa é de que mantenha a trajetória positiva neste ano, fundamentado na redução do custo financeiro das empresas com a queda dos juros e sinais importantes de recuperação da atividade econômica, pode ser uma boa oportunidade de ter bons retornos com RENDA VARIÁVEL, seja através de investimentos diretamente nas ações ou através de fundos de ações e multimercados, já citados acima.

Estas são algumas das possibilidades de investimento no curto prazo. Esteja sempre atento à diversificação da carteira pois, diante da incerteza política e econômica, o investidor deve, sempre que possível, primar pela segurança e controle do nível de risco corrido. Também evita que suas carteiras tenham altos e baixos muito bruscos. Arriscar mais ou menos é uma questão de perfil pessoal. Mas se for arriscar, faça-o de maneira consciente.

Bons investimentos e até a próxima!

*Alexandre Prado é coach, consultor, especialista em finanças, escritor, articulista e professor de cursos na área de desenvolvimento humano e organizacional, é Presidente da Núcleo Expansão. Tem no currículo sólida formação acadêmica, incluindo especializações em Nova Iorque, Boston e Oxford e vasta experiência como alto executivo de empresas nacionais e multinacionais.