Pesquisas eleitorais

Cadê os debates pré-eleições? Só temos as pesquisas eleitorais.

27 SET, 2018 / POR: ACIONISTA.COM.BR

                                   

Pouquíssimos debates entre os principais candidatos a governos estaduais e presidenciáveis nos fazem ter somente as pesquisas para nortear o rumo do voto. Não sabemos seus projetos, seus pontos comuns, seus pontos divergentes, em debates francos e abertos ao público na TV aberta.

Por quê?

Não há interesse por parte da imprensa, porque a verba é pequena e não compensa. Não há interesse dos políticos, porque a exposição não lhes é favorável. Fica o eleitor a mercê de simpatias pessoais e do tempo de TV absolutamente desproporcional para a apresentação dos projetos ou dos ataques conforme a preferência dos candidatos.

Pesquisas eleitorais, especialmente as de intenção de voto, encomendadas aos principais institutos do país (Datafolha, Ibope, MDA, DataPoder360, Paraná Pesquisas e Ipespe), por qualquer um que deseje, e registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), são legítimas e podem ser divulgadas. Contudo o número de pessoas pesquisadas não chama a sua atenção? Como 2.000 ou 5.000 pessoas podem representar mais de 200 milhões mesmo que respeitadas proporções por regiões e mulheres e homens? Inúmeras dúvidas prévias a uma importante decisão: Presidente, Senador, Deputados Federais e Estaduais e Governador, 1 dia decisivo para 4 anos de representação.

Pesquisas eleitorais: Tendenciosas? Orientadoras? Influenciadoras?

O jornal Estado de São Paulo, na reportagem de 12/09/18, CVM acompanha pesquisas eleitorais de corretoras, aborda especialmente a questão do monitoramento pela CVM do uso dos resultados pelos investidores e o momento das ocorrências das operações financeiras, principalmente se antes da pesquisa ter se tornado pública. Afora esta questão é lícita qualquer movimentação de ganho ou perda, pois se trata de informação de domínio público. Portanto a pesquisa, neste caso, é considerada orientadora.

Contudo, resta a questão fora o mercado financeiro, quando a cerca de 10 dias das eleições, temos a pífia liderança de 1 candidato, sequer ativo em campanha por atentado, 1 candidato que capitaliza votos de Lula, 3 em declínio e quase empate técnico, e os demais, nos últimos lugares, com pouquíssimos ou nenhum tempo de propaganda gratuita na televisão, não conseguem expor suas legítimas propostas e atingir um público maior. Os primeiros, antagônicos em ideias, e talvez por isso, sem medo de se exporem, captam intenções de votos; os terceiros lugares, sem brilho, sem carisma, lutam entre si para angariar votos uns dos outros menos na defesa de seus projetos, mais na fragilidade do outro.

As pesquisas estão fazendo você mudar o seu voto?

Vem à tona a questão do voto útil. Já ouviu falar disto? Você votaria em um candidato dos últimos lugares, mas como ele não teria chances, você opta por um dos primeiros lugares, para não permitir que quem você, decididamente, não gosta ganhe. Neste caso, temos a pesquisa a influenciar o voto.

Matéria do Estadão de 13/09/18, Campanhas defendem voto útil contra extremos, mostra como os candidatos estão usando "tática do medo" para que os eleitores definam seus votos.

Temos o direito à informação, as pesquisas são monitoradas para não serem tendenciosas e seguem os modelos, espontânea e estimulada. O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro afirma que as pesquisas desempenham papel importante na decisão do eleitor. De acordo com ele, existe tanto o voto útil, quando o eleitor quer ajudar alguém que tem mais chance; quanto o voto de veto, quando o eleitor quer fazer com que um candidato específico perca.

"A pesquisa não determina, ela influencia como qualquer outra fonte de informação", esclarece.

O futuro das urnas é o destaque nas notícias de hoje e é dentro de alguns dias que este assunto já estará no passado. O cenário está totalmente aberto e indefinido e é a totalidade da sociedade brasileira que arcará com as consequências do voto, seja para o bem ou para o mal. Portanto, pesquise os antecedentes de seu candidato, analise a viabilidade de êxito de seus projetos e vote com responsabilidade, com opinião própria com a menor influencia externa possível.

Não vote por medo.

Vote naquele que lhe representa, ou pelo menos, naquele que reúne o maior número de ideias similares a sua.


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