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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

27 AGO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (27), manteve a estimativa de crescimento do PIB de 2018 em 1,49% e a de 2019 em 2,50%.

A Confederação Nacional da Indústria revela esta semana que o empresário industrial voltou a demonstrar confiança, ainda que moderada, na nossa economia. O Índice de Confiança do Empresário Industrial, medido pela CNI, alcançou 53,3 pontos em agosto, crescendo 3,1 pontos em relação a julho, superando aos dos últimos dois meses, mas inferior ao de maio, anterior à greve dos caminhoneiros. A retomada da confiança dos industriais contrasta com as incertezas geradas pelo período eleitoral conturbado e inseguro, carente de candidaturas confiáveis.


Inflação

A pesquisa Focus manteve a expectativa de inflação de 2018 em 4,15% e a de 2019, em 4,10%.

O IBGE divulgou quarta-feira (22), o IPCA-15 de agosto, índice considerado uma prévia da inflação, de 0,13%, abaixo do desempenho de 0,64% do mês de julho. Foi a menor taxa para o mês de agosto desde 2010. A variação acumulada do ano é de 3,14% e nos doze últimos meses de 4,30%. Contribuíram para a queda do índice o desempenho dos grupos Alimentação e Transporte, cujos preços recuaram no período com algumas deflações. Os preços administrados, porém, dos grupos Habitação, Saúde e cuidados pessoais foram responsáveis pelas altas registradas em agosto. O IPCA acumulado de janeiro a julho era de 2,94% enquanto o IPCA-15 fechava em 3,00%. A queda verificada no IPCA-15 em agosto, provavelmente, não deverá ser acompanhada pelo IPCA. Os conflitos comerciais da gestão Trump com a China, que afetam as exportações de várias regiões do mundo e a expectativa de novo aumento da taxa de juros pelo FED, devem alterar a taxa de câmbio e provocar aumento da inflação de muitos produtos importados, como já acontece com a farinha de trigo. A inflação de agosto deve superar 0,13% registrado pelo IPCA-15.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

Tempos de juros baixos parecem que estão acabando depois de uma década. O cenário de juros baixos e comércio livre mudaram para um ambiente de conflitos comerciais, taxas de importação e juros em alta. O déficit elevado do governo é o motor que move a taxa Selic para captar recursos destinados ao financiamento do país. O alto nível de desemprego, o consumo paralisado e o cenário eleitoral indefinido não deve permitir alteração significativa na taxa de juros em curto prazo.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 54,25% do PIB e a de 2019 em 57,70% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista