Notas de dólar

Quais investimentos são mais impactados pela variação do dólar?

PUBLIEDITORIAL / 26 OUT, 2017 / POR: ALEXANDRE PRADO*

                                   

Com o cenário econômico brasileiro instável, os atuais e futuros investidores ficam inseguros em relação aos rendimentos dos mais diversos tipos de investimentos, principalmente, quando se trata daqueles que estejam, de alguma forma, lastreados ou relacionados à variação do dólar. Pensando nisso, é importante para esse público entender quais são os investimentos mais impactados pela questão cambial e saber como operar neste mercado.

Aquelas pessoas que investem em moeda estrangeira diretamente – ou papel moeda –, conseguem perceber efetivamente o impacto de qualquer oscilação na cotação e, consequentemente, na rentabilidade. Mas como entender esta flutuação quando a variação cambial não é tão evidente?

Vamos falar de fundos cambiais: esse tipo de investimento normalmente é afetado diretamente pela variação da moeda estrangeira – o dólar, por exemplo – ou da taxa de juros denominada cupom cambial. Normalmente, somado à variação cambial, há um rendimento prefixado. Assim, se a cotação do dólar subir, o fundo tende a ganhar rentabilidade. O oposto ocorre se a cotação cair.

Mesmo investimentos na modalidade renda fixa pós-fixada sofrem influência, ainda que indireta, da variação do dólar. Quando esta moeda está com sua cotação mais baixa, via de regra, a inflação tende a ficar mais controlada. Com a inflação sob controle, a taxa de juros tende a reduzir, impactando negativamente a rentabilidade de aplicações como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Tesouro Selic e Tesouro IPCA+.

Uma outra modalidade de fundos – os multimercados – também sofre alguma influência do dólar. No entanto, como são fundos cujas carteiras compõem-se de uma variedade grande de ativos (ações, commodities, índices, DI, Selic (juros) e, é claro, moedas) tendem a ser opções um pouco mais seguras para investir.

Agora, saindo de opções mais conservadoras e ingressando em um mercado mais arriscado e volátil, temos o mercado de ações.

Tenhamos, por exemplo, ações de empresas que operam no mercado internacional e que sejam exportadoras. Citamos aquelas que operam com papel, celulose e mineração. Tendo em vista que suas receitas e lucros decorrem de operações no mercado externo, estas rubricas são maximizadas quando o dólar está valorizado frente ao real. Ou seja, a valorização cambial geraria, no limite, dividendos mais robustos e alta no valor das respectivas ações. A atenção está na escolha de ações sólidas.

Ainda falando de ações, temos aquelas emitidas por empresas estrangeiras e que são negociadas na bolsa de valores brasileira, a Bovespa. As BDRs (Brazilian Depositary Receipt) são certificados de ações emitidos e negociados no Brasil, lastreados a ações de empresas estrangeiras. No entanto, investimento nesta categoria não é para qualquer um: somente aportes superiores a R$ 1 milhão são permitidos. Caso não tenha esta some de recursos, pode investir em fundos de investimentos que possuam BDRs na composição de sua carteira.

Por fim, para um público ainda mais seleto, há a opção de negociar diretamente no exterior. Neste caso, o investidor deve dispor de, no mínimo, US$ 100 mil, abrir uma conta de investimentos em uma corretora de valores no exterior, fazer a remessa de valores e começar a operar. A valorização do dólar pode contribuir para boas rentabilidades, mas, atenção, que o inverso também vale: a desvalorização da moeda norte-americana pode gerar perdas por aqui.

Em qualquer modalidade de investimento é fundamental que seja feito o acompanhamento permanente e, em alguns casos, o leigo deve buscar suporte técnico de um profissional especializado. Conscientizar-se que a dicotomia “risco x rentabilidade” é parte indissociável do mercado financeiro. Não há ganhos mágicos. O que há são estratégias consistentes que visam maximizar os ganhos e mitigar as perdas.

Bons investimentos!


*Alexandre Prado é coach, consultor, especialista em finanças, escritor, articulista e professor de cursos na área de desenvolvimento humano e organizacional, é Presidente da Núcleo Expansão. Tem no currículo sólida formação acadêmica, incluindo especializações em Nova Iorque, Boston e Oxford e vasta experiência como alto executivo de empresas nacionais e multinacionais.

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