Pote de moedas

Por que a poupança continua sendo um investimento tão popular no Brasil, mesmo oferecendo rentabilidade baixa?

26 SET, 2017 / POR: ALEXANDRE PRADO*

                                   

A resposta superficial e imediata a esta indagação seria algo como: porque o brasileiro não tem a cultura da educação financeira e, portanto, prefere ficar acomodado em algo que pode até esquecer que existe, mas que está sempre rendendo alguma coisa. Esta afirmação não é exatamente equivocada, mas há outros aspectos a serem considerados.

Com a queda da Selic para 8,25% ao ano, a rentabilidade da caderneta de poupança diminuiu ainda mais. Ainda assim, continua sendo a forma mais popular do brasileiro médio investir seu dinheiro. Por que será?

Relembremos um pouco sobre as cadernetas de poupança: são regulamentadas pelo Banco Central do Brasil e possuem algumas características particulares, as quais podemos destacar: a isenção de taxas administrativas na caderneta de poupança; a não incidência de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos; o cálculo mensal da rentabilidade do investimento; a garantia do investimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), para valores de até R$ 250 mil.

As principais vantagens para quem investe nessa modalidade de aplicação residem justamente na facilidade e a segurança que ela oferece aos poupadores. Elas podem ser abertas em qualquer instituição financeira, permitem depósitos imediatamente após a abertura e saques a qualquer momento, de acordo com a necessidade do investidor. Além disso, possuem baixo risco para o investidor.

Por outro lado, apresenta algumas desvantagens, quais sejam: a rentabilidade mensal pouco vantajosa é a principal delas. Além disso, existe um mito entre os investidores da caderneta de poupança quanto à sua segurança: apesar de se tratar de um investimento de baixo risco, a poupança está sujeita a riscos – como no caso da falência da instituição financeira na qual possui a conta poupança. Neste caso, o FGC só garante a devolução de quantias até o limite de R$ 250 mil. Acima disso, já era!

Agora voltemos aos dias de hoje: Selic a 8,25% ao ano, vale ou não vale continuar a investir na poupança?

Analisemos: quando a taxa Selic estava em 10% ao ano já permitia à poupança render mais do que um fundo DI (que cobra taxa de administração e sobre o qual incide IR) e o CDB (que também tem incidência de IR). Ao ser reduzida para 8,25%, a poupança passa a render mais que os títulos públicos pós-fixados, diretamente prejudicados pela queda da Selic e sobre os quais incide o IR. A poupança só perderia, nesse cenário, para as letras de crédito (LCI e LCA), que também são isentas de imposto.

Mas isso não quer dizer que outros investimentos baseados no CDI sejam menos interessantes que a poupança. Alguns continuam sendo mais interessantes, com rentabilidade melhor que a poupança, apesar da queda na taxa básica de juros. Assim, um título que paga 100% do DI ou até o Tesouro Direto, que paga a Selic, terá 11% ao ano, enquanto a poupança rende 6% ao ano mais TR.

Uma boa aplicação é o Tesouro Selic: excelente substituto para a poupança. A liquidez é diária e a rentabilidade também – diferente da poupança que é mensal. Assim, se você precisar sacar o dinheiro antes de 30 dias, ele já terá sido remunerado. Além de tudo, também é coberto pelo FGC até os mesmos R$ 250 mil da poupança.

E se a questão residir no fato do investidor ser muito conservador, isso não será um grande problema: o Tesouro Selic é o investimento mais conservador que existe. Bancos, empresas, fundos e todos os grandes investidores alocam grandes somas de dinheiro nesse tipo de título.

E tenhamos em mente que se o governo não honrar esses títulos – o que é altamente improvável –, menos ainda garantirá a poupança, que já terá virado pó bem antes.

É importante sempre pontuar que a opção pela melhor modalidade de investimento passa por educação financeira sim: quanto mais se sabe lidar com o dinheiro, maior será o retorno. E saber lidar bem como o dinheiro passa por diversificar as aplicações. Montar uma carteira equilibrada pode ser a chave do sucesso para aquele investidor que tem uma visão de longo prazo e deseja auferir boas rentabilidade lá na frente. Para este, o céu é o limite e o mercado financeiro é um oceano de possibilidades.

Anote aí: quem sabe mais, ganha mais!


*Alexandre Prado é coach, consultor, especialista em finanças, escritor, articulista e professor de cursos na área de desenvolvimento humano e organizacional, é Presidente da Núcleo Expansão. Tem no currículo sólida formação acadêmica, incluindo especializações em Nova Iorque, Boston e Oxford e vasta experiência como alto executivo de empresas nacionais e multinacionais.