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PT: do Mensalão ao Notão     Índice
25 de agosto de 2008
Marcos Venícius Barreto Magalhães*

Para tratar desta duas questões petistas, necessário se faz discutir, antes, alguns elementos que permeiam o quadro conjuntural econômico e político do Brasil.

Começando pelo crescimento econômico, quando atingiu a 5,4% em 2007, e 5,6% no 1º trimestre de 2008, precisamos resgatar, de forma rápida, alguma coisa deste tema.

Pensando-se o crescimento como uma maior produção de bens e serviços resultantes de uma adição de máquinas e equipamentos ao estoque de capital e / ou o progresso técnico, observamos que deste último o Brasil pouco ou nada avançou no período petista, uma vez que para isso teríamos que ter resultados no âmbito, da pesquisa básica e aplicada, do papel das leis da propriedade intelectual e no papel da educação e do treinamento, etc.

Como nos últimos cinco anos, este progresso tecnológico não ocorreu praticamente, afigura-se, tão somente, no incremento no estoque de capital e / ou no uso da capacidade ociosa, o que não é grande coisa, uma vez que a nossa dependência externa aumenta.

Olhando-se, agora, o crescimento econômico como resultante do aumento da poupança para o seu financiamento, cremos também que pouco ou nada se fez nos últimos cinco anos.

Neste caso, lembramos que o superávit primário, apenas, serviu para pagar parte dos juros do governo; enquanto a poupança externa foi baixa, resultante, nos primeiros anos petistas, pela fuga do capital com medo do seu presidente. Quanto às famílias, também pouco ou nada se alterou (por exemplo, o sistema previdenciário continua precisando de reforma), não sendo determinante para uma possível melhoria de novos investimentos.

Mas, com o grande crescimento mundial e de seu comércio, as exportações brasileiras (que também se beneficou da desvalorização do real fruto do medo do presidente petista) aumentaram muito, sendo, no primeiro momento, o manancial de recursos que irrigaram aos demais setores da economia brasileira. Portanto, o medo ao presidente e a economia externa, aliado à decisão de forjar muito crédito e prazos excessivos às famílias, nos conduziram ao soluço do crescimento em 2007 e provavelmente, no primeiro semestre de 2008.

Aumentar os juros (SELIC) para combater à inflação, é dar um atestado de incompetência à nação, uma vez que o (des) governo não poderia forçar o crescimento; mas o fez, pois estava de mãos vazias para o povo. Aceitar este padrão de crescimento é estar conivente com o descalabro petista.

Estes seriam, pelo menos, os elementos básicos para a pauta de discussão, que, ao meu ver, as agências de risco internacionais deveriam levar em consideração.

Ora, sem uma reforma fiscal adequada, que reduza os gastos públicos (com a previdência e outros), que racionalize os tributos, que transforme uma boa parte da dívida de curto prazo para médio e longo prazos, que se invista na infra-estrutura (o PAC está empacado) para diminuir os gargalos, etc., a economia fica sem poder ampliar seu PIB potencial de forma harmônica e racional. Não é entupindo as ruas das cidades de carros (não pagos) e inviabilizando o seu trãnsito, que melhora!

Portanto, se as agências internacionais de risco tivessem atentado para isso com responsabilidade que a hora requer, o “investiment grade” não teria acontecido.

Como a Nota do risco de pagamento de créditos do governo foi melhorada, é possível que tenha sido alimentada, apenas, pelos homens do mensalão, que, aqui, os chamo de “Homens do Notão”.

Diante desse quadro; diante da corrupção que grassa o governo, segundo a mídia; diante, agora, da notícia do envolvimento, desde antes, do seu mais alto escalão com o terrorismo internacional (atravé da FARC, Fidel Castro, etc.), fica a pergunta: por que somente Collor soçobrou?

Collor não pode ser o bobo da corte, e o povo, que a tudo pode (até aos mais costumes vis), cabe responder. Não respondendo, ou ainda, a cada notícia de estar o governo mergulhado na corrupção e no terrorismo dar-lhe mais o seu apoio, ou ainda aceitando a inflação (uma vez que o governo optou, há algum tempo atrás por crescimento e inflação, em detrimento de estabilidade), nos deixa à vontade para, ocorrendo uma nova ditadura militar, não termos que ir às ruas pedir pela Democracia já.


* Doutorando em Administração Pública – UCM/UNIFACS
mvbmagalhaes@hotmail.com

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