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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

25 JUN, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (18), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,94%, para 1,76% e a de 2019 de 2,80% para 2,70%.

O Monitor do PIB elaborado pelo Ibre da FGV indica crescimento de 0,1% em abril ante março. O índice de tendência do indicador da nossa economia é elaborado a partir das mesmas fontes de dados e metodologia adotadas pelo IBGE. Comparando com abril do ano passado o PIB apresentou expansão de 2,9%. O crescimento alcançado em abril revela determinada estagnação, conforme nota oficial do coordenado do Monitor.

O Banco Central informou sexta-feira (15) com base no IBC-Br, índice considerado uma prévia do PIB, que a economia cresceu 0,46% em abril em relação a março e que no acumulado deste ano o crescimento foi de 1,55%. O indicador não considera os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros realizada no final de maio, cujos efeitos já se fizeram sentir no desempenho econômico. O Banco Central projeta alta de 2,6% para o PIB deste ano e o Ministério da Fazenda trabalha com um percentual da ordem de 2,5%, índices superiores ao estimado pelo mercado por meio da Pesquisa Focus.

Os problemas econômicos internacionais criados a partir da gestão Donald Trump, envolvendo disputas comerciais com a Europa e a Ásia e que repercutir mais fortemente nos países emergentes, vai perturbar, sem dúvida, o crescimento da nossa economia. Este clima instável deve ser agravado com o período eleitoral que se aproxima indefinido e carente de soluções viáveis. A cada pesquisa eleitoral cresce a incerteza e a descrença no nosso futuro econômico.


Inflação

Alterada esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 3,82% para 3,88% e a de 2019 de 4,07% para 4,10%. O Ministro da Fazenda Eduardo Guardia em pronunciamento realizado, quinta-feira (21), em palestra para jornalistas em Washington, onde se encontrou com representantes do FMI e com o Secretário do Tesouro americano, disse que a inflação esta “contida, controlada e abaixo da meta” apesar da greve dos caminhoneiros e seus impactos nos índices de preços. Disse que o IPCA-15 divulgado nesta quinta-feira superou as expectativas de analistas com aumento de 1,1%, maior alta para o mês em 23 anos, reflete um “choque temporário”. O desabastecimento gerado pela greve provocou pressão nos preços. É considerado um choque temporário pelo ministro, que deve impactar a inflação de junho, embora ela esteja “contida, controlada e abaixo da meta”.

O ministro não considerou porem, que outro agravante para o desempenho do IPCA deste ano é o período eleitoral. A campanha geralmente provoca grande instabilidade econômica com base nos programas econômicos divulgados ou mesmo na inexistência de projetos viáveis compatíveis com as necessidades do país. Até agora, por exemplo, não surgiu um projeto que entusiasme os investidores e reestabeleça a confiança dos responsáveis pelo crescimento da economia que são os empresários criadores de riqueza


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central em reunião realizada esta semana, decidiu manter a taxa Selic em 6,5%, conforme comunicado divulgado quarta-feira (20). Trata-se do menor nível histórico desde que a Selic passou a ser usada como referência em 1996. A decisão do Copom foi coerente com as expectativas do mercado expressa em inúmeras pesquisas de instituições financeiras e da pesquisa semanal Focus. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que incertezas internas, com as eleições, e mudanças externas justificam a manutenção dos juros, como anunciado nesta quarta-feira, 20, pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Trechos do comunicado explicam a decisão tomada: “Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. - O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. - O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazo, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.”


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e alterou levemente a de 2019 de 57,05% para 57,15% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista