PIB, inflação, juros, dívida pública

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

24 SET, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (17), reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,40% para 1,36%. A projeção de evolução do PIB em 2019 foi mantida em 2,50%.

Mais uma queda na projeção do PIB de 2018 pela pesquisa semanal Focus. Efeito do descredito do governo, da indefinição do cenário eleitoral e da ausência de uma liderança confiável para administrar o processo de reformas que o país exige.

O Banco Central divulgou segunda-feira (17) que a economia brasileira cresceu em julho 0,57% em relação a junho, conforme o IBC-Br, índice que mede o comportamento dessazonalizado da atividade econômica. O indicador sofreu expressiva queda de 3,35% em maio como resultado da greve dos caminhoneiros, mas recuperou 3,34% em junho. O comportamento dos setores de serviço e comércio em julho frustraram as expectativas dos economistas que previam alta para esses setores. Serviços tiveram queda de 2,2% em relação a junho quando pesquisas indicavam alta de 0,4%, como da Reuters. O comércio por sua vez, apresentou a terceira queda consecutiva, recuando em julho 0,5%. Conforme cálculo do IBGE a produção industrial recuou 0,2% em julho. Havia expectativa no mercado que o mês de julho recuperasse o ritmo de crescimento depois dos efeitos negativos da greve de maio.

A pesquisa Focus refletiu a queda da atividade econômica, o alto nível de desemprego e a incerteza gerada por um dos piores períodos eleitoral das últimas décadas.


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,05% para 4,09% e mantem a de 2019 em 4,11%. Para atingir a taxa projetada pela pesquisa de 4,09% é necessário que no período setembro/dezembro a taxa média mensal não supere 0,3%.

A projeção do IPCA da pesquisa repercutiu o comportamento do dólar que vem crescendo mais do que a estimativa da Focus, que estima uma taxa cambial no fim deste ano de R$ 3,83, quando a taxa média deste mês é da ordem de R$ 4,13. Além dos fatores externos, como a política comercial conflituosa do governo Trump e as reações do governo chinês, cujos efeitos perniciosos se espalham pelo resto do mundo em especial entre os parceiros emergentes, pesam nessa equação os fatores internos. A eleição é o fator mais crítico. O ambiente eleitoral difuso agrava a perspectiva econômica por gerar tanta incerteza no nosso futuro.


Juros

A pesquisa Focus manteve inalteradas as projeções da taxa de juros no fim dos anos 2018 e 2019 em respectivamente, 6,50% e 8,0%.

O Copom em sua última reunião antes da eleição decidiu quarta-feira (19), manter a taxa Selic em 6,5%, pela quarta vez seguida no nível mais baixo desde 1996. A decisão já era esperada pelo mercado em razão da trajetória da inflação, apesar das turbulências financeiras e desvalorização do real.


Dívida Pública

A pesquisa alterou a expectativa da dívida líquida de 2018 de 54,20% para 54,32% do PIB e a de 2019 de 57,60% para 57,75% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista