Greve: quem cede primeiro?

Governo e Petrobras: até quando os preços continuarão nas alturas?

24 MAI, 2018 / POR: ACIONISTA.COM.BR

                                   

A paralisação dos caminhoneiros alerta para a necessidade de previsibilidade dos aumentos dos combustíveis para que o frete cobrado seja justo e não defasado, assim como para a elevada carga tributária que tem efeito cascata e onera a todos.

A Petrobras aumenta o preço dos combustíveis seguindo variáveis reais, que são o câmbio e a variação do preço do petróleo internacional, o que não fazia nos governos anteriores sendo um dos fatores que a lavaram a sérios prejuízos. Contudo é viável e depende de ajustes internos tornar estes aumentos menos frequentes, mas mais previsíveis ao consumidor, de forma que o repasse seja possível.

Mendonça de Barros, hoje, na BandNews, mencionou esta possível previsibilidade, assim como a retomada da produção de diesel pela Petrobras, diminuindo a dependência externa. A opção de redução da produção foi feita pela baixa lucratividade, mas parece ser um fator importante para a demanda atual.

José Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abicam), também em entrevista com a BandNews, a greve termina se o governo formalizar publicando do Diário Oficial da União a isenção dos impostos sobre o diesel. Ele diz que "deve ter uma mudança na política de aumento de preços da Petrobras. O governo tem que encontrar uma forma de fazer isso mensalmente, ou trimestralmente", aponta. "Mas não vai se discutir isso parado: resolvendo o problema do PIS/Cofins e da Cide, voltaremos ao trabalho". Lopes afirma que mesmo com o fim da greve, o abastecimento no país deve levar pelo menos uma semana para normalizar a situação.

Segundo Ariovaldo de Almeida Silva Júnior, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicam) de Ourinhos/SP, os caminhoneiros reivindicam:

• Queda no preço do óleo diesel;
• Isenção do pedágio dos eixos que estiverem suspensos;
• Aprovação pelo Senado Federal do PL 582/2015: criação de política de preços mínimos para frete;
• Criação do marco regulatório para os caminhoneiros.

Hoje, chegamos no limite.

Os caminhões parados fazem o efeito dominó: eles não chegam a seus destinos para entregarem suas cargas, muitas delas como hortaliças, legumes e frutas que abastecem as Ceasas do país; não há distribuição de gasolina para os postos e com isso, o transporte público deixa de circular normalmente; farmácias e hospitais estão ficando sem remédios e suprimentos; aeroportos não terão reabastecimentos para as aeronaves, como por exemplo Congonhas, que menciona ter combustível até sexta-feira e em Porto Alegre, até hoje (24/05), conforme noticiado pela Fraport que agora é a detentora do aeroporto. A Infraero orienta os passageiros que entrem em contato com a Companhia aérea para ver a situação de seu voo, quanto a disponibilidade de combustível.

Nota da Infraero

Frigoríficos: estimam prejuízo de R$ 200 milhões nas exportações de carne suína e de frango, pois não podem exportá-las.

Correios: suspensa entregas com dia hora marcados (Sedex, 10,12 e Hoje). Continua aceitando postagens via sedex e PAC, mas com a greve a entrega deve atrasar.

Nota do Correio

Na manhã de ontem (23/05), a gasolina teve uma redução de 0,62% custando R$ 2,0306 o litro, porém o consumidor final não sentiu a diferença, porque os postos de gasolina têm liberdade de cobrar o preço que quiser.

Fato Relevante: Redução do diesel

Pedro Parente, presidente da Companhia, em entrevista, disse que terá uma redução de 10% no diesel que ficará a R$ 2,1016 por 15 dias, enquanto que, no preço da gasolina, não mexerá.

Após este prazo, volta para sua política de preços. Esta é a solução?

Ações da Petrobras: PETR3 fechou a R$ 27,15 com queda de 4,47%, e a PETR4 a R$ 23,27, seguindo viés negativo de 5,83%.

A gasolina, num país que sempre se considerou autossuficiente, é a mais cara. Com a greve está a peso de ouro.

Está na hora do governo e Petrobras chegar num consenso para o país seguir em frente.