Moedas

Para os mais conservadores, como fazer outros investimentos além da poupança

PUBLIEDITORIAL / 24 JAN, 2018 / POR: ALEXANDRE PRADO*

                                   

Há muito já é sabido que o brasileiro em geral não recebeu educação financeira. Efeito imediato é que a grande maioria não tem sequer a cultura de poupar. E alguns poucos que a veem como boa estratégia, miram na clássica caderneta de poupança.

Dados da Allgoo – fintech especializada na digitalização de instituições financeiras – indicam que a caderneta de poupança é o destino escolhido por 29% dos brasileiros, seguida por investimentos em CDB e Tesouro Direto, com 27% e ações com 4%. Agora, pasmem, 22% dos pesquisados disseram não ter nenhuma quantia sobrando e 19% deixam seu dinheiro parado na conta corrente, ou seja, sem render absolutamente nada. Em minha percepção, estes números refletem e são justificados pela ausência de educação financeira.

Há um dito popular que afirma que "a ignorância é uma benção". Ela cabe perfeitamente no cenário em tela, principalmente para aqueles que “acham” possuir algum grau de maturidade para investir e direcionam seus recursos exclusivamente para a poupança.

Sendo assim, o intuito deste este artigo é lançar luz sobre algumas opções para perfis mais conservadores e que ofereçam rentabilidades mais favoráveis do que a velha poupança.

Ainda sobre a poupança, será que realmente é sabido quanto ela rende? Vejamos!

Em maio de 2012, a regra para o cálculo do rendimento da caderneta de poupança foi alterado: quando a taxa básica de juros – Selic – é igual ou superior a 8,5% ao ano, a caderneta tem rendimento de 6,27% ao ano, sendo 0,5% ao mês mais o valor da Taxa Referencial (TR). Quando a Selic fica abaixo de 8,5% ao ano o rendimento é de 70% da taxa Selic. Como atualmente a taxa encontra-se em 7% a.a. o rendimento na poupança tende a ser de 4,9% neste ano. No entanto, apesar de não ser unanimidade, alguns bons analistas esperam que a Selic baixe ainda mais para algo como 6,5% ao ano. Assim, o rendimento da poupança reduziria mais ainda.

Mas, falemos de opções melhores que a poupança, mesmo mantendo um perfil mais conservador. Aplicações em títulos públicos ou do setor privado, emitidos por bancos e empresas, podem render mais do que a caderneta. Principalmente se o dinheiro não for mexido por mais de um ano, quando há uma redução do Imposto de Renda incidente sobre as aplicações em CDBs, fundos e títulos do Tesouro.

É fundamental avaliar as rentabilidades das outras aplicações sempre depois do desconto de impostos (de renda e IOF) e das taxas de administração e custódia, ou seja, o que chamamos de rentabilidade líquida, visto que na poupança não há a incidência de nenhuma das duas.

Abordemos algumas possibilidades!

Tesouro Direto

É a plataforma de negociação de títulos do governo federal pela internet. Há três tipos de títulos para negociar: os pós-fixados (com remuneração atrelada à Selic), os prefixados (com remuneração pré-definida no ato da compra) e os atrelados à inflação (que pagam uma taxa prefixada mais a variação do IPCA no período).

A rentabilidade está sujeita à cobrança de IOF e imposto de renda e há a incidência obrigatória de uma taxa de custódia, paga à bolsa de valores, de 0,3% ao ano. Além disso, pode haver uma taxa de administração cobrada pela corretora de valores por meio da qual o investidor negociar. Trata-se do menor risco de calote presente hoje na economia brasileira. A liquidez de todos os papéis é diária.

O título Tesouro Selic (LFT) é indicado para qualquer investidor que deseje se manter conservador, que queira liquidez diária ou esteja investindo para o curto prazo. Os demais títulos só podem ser considerados conservadores se a intenção do investidor for ficar com eles até o vencimento, ou seja, abrindo mão da liquidez.

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa com perfil mais conservador, entre os quais se enquadram os fundos DI, são fundos que só investem em títulos de baixo risco, como os públicos, os emitidos por grandes bancos que contem com garantias e operações no mercado financeiro que busquem replicar o desempenho do CDI. Os rendimentos estão sujeitos à cobrança de IR, IOF e uma taxa de administração que, idealmente, não deve ultrapassar 1,0% ao ano, para não sacrificar demais a rentabilidade.

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

LCIs e LCAs são títulos semelhantes aos CDBs. São emitidas por bancos, protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até o limite de 250 mil reais, isentos de taxa de administração e costumam pagar um percentual do CDI. São isentas de IR, mas não podem ser resgatadas antes de um prazo mínimo de 90 dias.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Trata-se de títulos emitidos por bancos, também protegidos pelo FGC. Apesar de sofrerem a incidência de IR, a rentabilidade real líquida chega a ser o dobro da poupança. Dependendo do limite a ser investido, pode valer a pena contratar CDBs de bancos menores, que costumam oferecer taxas mais atraentes, já que eles têm mais risco de quebrar e não captam clientes com a mesma facilidade dos bancos grandes e mais conhecidos. Por isso, atenção ao limite de proteção do FGC.

A sugestão sempre é a mesma: estudar e pesquisar sobre as aplicações que mais se adequem a cada perfil de investidor. A escolha consciente é sempre melhor!

Bons investimentos e até a próxima!


*Alexandre Prado é coach, consultor, especialista em finanças, escritor, articulista e professor de cursos na área de desenvolvimento humano e organizacional, é Presidente da Núcleo Expansão. Tem no currículo sólida formação acadêmica, incluindo especializações em Nova Iorque, Boston e Oxford e vasta experiência como alto executivo de empresas nacionais e multinacionais.

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