selic

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

23 JUL, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (16), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,53% para 1,50% e manteve a de 2019 em 2,50%.

Continua declinante a tendência de crescimento da economia este ano. Os indicadores econômicos divulgados pelas fontes esta semana demonstram um retrocesso nas estimavas de evolução do PIB.

O governo inicialmente trabalhava com expansão do PIB este ano de 3% enquanto o mercado estimava em 2,5%, projeções abaladas pela crise existente, agravada com a greve dos caminhoneiros. Para 2019 a previsão era de crescimento de 3,3%, reduzida hoje para 2,5%. O Banco Central que já havia declarado que a greve dos transportadores provocara expressivo encolhimento da economia em maio, com retração de 3,34% em relação a abril, também abalou a confiança do empresariado e consumidores. A última projeção do governo para o PIB deste ano, de 1,5%, fica em linha com as estimativas da pesquisa Focus que consulta uma centena de economistas toda semana.

O desemprego superior a 13 milhões de trabalhadores agrava a situação da economia e a expectativa da sociedade. Outro indicador da dificuldade econômica do país é o do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), publicado sexta-feira (20), que revela forte desaceleração no mercado de trabalho. No mês de junho o indicador ficou negativo em 661 vagas, pela primeira vez este ano. Nos meses anteriores o índice já mostrava desaceleração importante no mercado de trabalho formal, ainda com saldo positivo, mas que deve ficar negativo em breve.

O índice de inflação, medidos pelo IPCA e IPCA-15, que nos últimos meses tem crescido alimentado pela greve dos transportadores, é outro fator importante na queda da projeção do crescimento econômico em razão da sua influência no ânimo dos investidores e consumidores.

Os indicadores construídos com base no comportamento passado das respectivas variáveis não contribuem para o entusiasmo do mercado. Pior é que as expectativas com base nas projeções futuras são desalentadoras.

O processo eleitoral paralisa a economia pela indefinição dos empreendedores, empresários, investidores e consumidores que esperam conhecer o projeto de país de cada candidato viável. O cenário atual é somente de dúvida em relação ao futuro da nossa economia. Os candidatos até agora conhecidos, que lideram as pesquisas, ainda não definiram claramente seus programas. Na verdade transitam por sendas desconhecidas dos eleitores. Ora casam com a esquerda, namoram a direita, mas se declaram para o centrão em busca de apoio e tempo de TV, defendem teses populistas travestidas em desenvolvimentistas, mas que não deram resultado no passado; demonstram autoritarismo como método de governar, se definem como de direita, prometem privatização massiva das empresas públicas e defendem programas ainda em construção; defendem teses de centro prometendo reformas econômicas, manutenção de programas sociais e criação de emprego, mas contam com apoio de partidos que até hoje não deram nenhuma contribuição para gestão competente do país.


Inflação

A pesquisa Focus alterou esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 4,17% para 4,15% e manteve a de 2019 em 4,10%. A projeção da pesquisa Focus para inflação deste ano continua crescendo mesmo com o leve declínio desta semana, passando de 3,49% em abril para 4,15% hoje.

O IBGE divulgou sexta-feira (20) o IPCA-15 de julho, de 0,64%, o mais alto para o mês desde 2004 para o índice considerado uma prévia da inflação e muito superior ao do mesmo mês de 2017 que foi de -0,18%. A taxa acumulada em 12 meses passou de 3,68% em junho para 4,53% em julho, resultado mais elevado desde março de 2017, quando registrou 4,73%.

A variação de preços a partir da greve dos caminhoneiros é decorrente desse movimento que desestruturou o abastecimento e o consumo na maioria dos setores econômicos. Há expectativa de que o equilíbrio entre a produção, a demanda e a distribuição se normalize fazendo recuar a evolução dos preços e que o IPCA feche o ano dentro da meta do Banco Central.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

A taxa de juros não deve sofrer alteração significativa enquanto o cenário eleitoral não defina o rumo das eleições. O cenário eleitoral indefinido não indica ainda possíveis tendência do próximo governo.


Dívida Pública

A pesquisa reduziu levemente a expectativa da dívida líquida de 2018 de 55,95% para 54,93% do PIB e manteve a de 2019 de 58,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista