selic

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

21 MAIO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (14), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,70%, para 2,51% e manteve a de 2019 em 3,00%. Não são poucos os fatores que revelam a dificuldade de recuperação da economia brasileira. Fatores internos se combinam para retardar a retomada da nossa economia, acompanhados de causas externas com potencial de agravar a trajetória de recuperação.

O dólar se aprecia frente à maioria das 31 principais moedas estrangeiras como decorrência do ritmo do crescimento econômico americano e da expectativa de aumento do ritmo de correção da taxa de juros para evitar alteração da inflação. A procura pelos títulos americanos tem atraído investimentos externos em busca de melhor retorno com mais segurança. Os investidores transferem suas aplicações, aumentam a procura por dólar e depreciam a moeda local num movimento conhecido como “efeito manada”. A queda dos juros brasileiros e a alta das taxas americanas são fatores preponderantes da desvalorização do real. Nas últimas oito semanas a taxa do dólar à vista passou de R$ 3,250 para R$ 3,739, com alta de 15,04%.

Retarda também nosso crescimento a tendência negativa de índices relativos ao desemprego apurados pelo IBGE, FGV e FIESP, indicando que a recuperação do emprego será mais lenta do que estimava o mercado. O IBC-Br, índice calculado pelo Banco Central considerado uma prévia do PIB, apresenta desempenho negativo nos três últimos trimestres móveis, agravando a confiança dos empresários e retardando os investimentos programados pelas empresas.

O IACE – Índice Antecedente Composto da Economia é um índice da FGV que procura medir a tendência da evolução da economia. "Após nove meses de altas seguidas, o IACE recuou em abril com os componentes de expectativas captando o sentimento de frustração em relação ao ritmo da retomada econômica", disse o economista Paulo Picchetti, pesquisador do Ibre da FGV, na divulgação do indicador, na terça-feira (15). A evolução do PIB esperada pelo mercado em 2018 está difícil de acontecer.


Inflação

Reduzida esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 3,49% para 3,45% e a de 2019 de 4,03% para 4%.

A tendência de queda da inflação deste ano, demonstrada pela pesquisa Focus, pode ser interrompida com a evolução dos fatores negativos que deprimem nossa economia. A taxa de câmbio que deprecia o real deve afetar o preço dos produtos e insumos importados alterando a curva descendente do IPCA. O período eleitoral é outra ameaça à estabilidade dos preços, especialmente, diante da ausência até agora, pelo menos, de candidatos capazes de fazer as reformas que o país precisa para retomar um crescimento sustentável.


Juros

Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,25% e a de 2019 em 8,00%. O grupo de economistas participantes da pesquisa Focus e o mercado como um todo estimava um corte de 0,25 pontos percentual da taxa Selic na reunião do Copom da última quarta-feira. A expectativa foi frustrada. O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic de 6,5%, surpreendendo o mercado, considerando que o cenário externo “tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade”, conforme comunicado. A recomposição da taxa de juros de alguns países desenvolvidos provocou revisão da política financeira no mercado internacional. Consequentemente, a aversão ao risco afastou investidores dos mercados emergentes. Depois de 12 cortes seguidos a taxa Selic se manteve em 6,5%, menor patamar da história e assim deve se manter, conforme o comunicado do Copom.


Dívida Pública

Mantida a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e de 2019 em 57,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista