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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

20 AGO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (13), alterou a estimativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,50% para 1,49% e manteve a de 2019 em 2,50%.

Divulgação do Banco Central, quarta-feira (15), de que a economia brasileira conseguiu recuperar em junho as perdas decorrentes da greve dos caminhoneiros, embora tenha encerrado o segundo trimestre com queda de 0,99% em relação ao primeiro, depois de cinco trimestres em alta, melhorou um pouco o clima econômico deprimido pelas consequências da paralização. O IBC-Br de junho, índice que antecipa estimativas do desempenho do PIB, subiu 3,29% em junho, compensando a perda de 3,28% provocada pela greve no mês de maio. A paralização dos caminhoneiros atingiu as linhas de distribuição de produtos, causou grave desabastecimento, restringiu a produção industrial, prejudicou o consumo, provocou generalizado aumento de preços e atingiu profundamente a confiança de produtores e consumidores. Estes efeitos, infelizmente, ainda persistem e combinados com o decepcionante clima eleitoral, agravam ainda mais a confiança da sociedade no futuro do país e mantém inalterado o excepcional nível de desemprego.


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,11% para 4,15% e manteve a de 2019 em 4,10%.

Os economistas consultados na pesquisa Focus elevaram a expectativa de inflação deste ano para 4,15%, não se manifestaram sobre possível alteração da taxa Selic pelo Banco Central e mantiveram inalterada a estimativa de inflação de 2019. A projeção da taxa de inflação se mantem ainda abaixo do centro da meta oficial de 4,50%, com margem de 1,5 pontos percentual para mais ou para menos.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente. A economia relativamente estagnada, o elevado desemprego e o complicado cenário eleitoral, repleto de candidatos sem uma mensagem coerente de gestão da economia, recomenda uma administração muito criteriosa da taxa de juros, missão que o Banco Central vem desempenhando com sucesso.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 54,25% do PIB e a de 2019 em 57,70% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista