Selic rompendo recordes

Menor nível histórico! Analistas avaliam baixa da Selic

20 ABR, 2018 / POR: ACIONISTA.COM.BR

                                   

Na última reunião do COPOM - Comitê de Política Monetária, em 21/03, baixou a taxa Selic em 0,25pp caindo de 6,75% para 6,50%, ficando assim até o momento no menor nível desde a sua criação em 1996.

Segundo, Patrícia Krause, economista da Coface para América Latina (Seguradora de Crédito francesa), o "BACEN deve reduzir a taxa de juros em 0.25 ponto percentual, encerrando o ciclo de redução". Ela acredita que não deve gerar nenhum impacto expressivo no mercado, porque já está precificando uma última redução.

Patrícia diz que "o repasse de fato tem demorado mais do que o esperado inicialmente. Apesar disso, o movimento deve ganhar mais intensidade em 2018, com uma retomada mais forte da economia".

Simone Pasianotto, economista da REAG Investimentos acredita em mais um corte na próxima reunião do COPOM e este patamar de baixa deverá se manter até 1º semestre de 2019. Conforme, a projeção da REAG, ilustrada no gráfico abaixo, a Selic se manterá nos níveis de 6,75% até setembro/19. A partir deste mês, ela acredita numa elevação gradativamente. Essa avaliação ocorre diante da dificuldade do Brasil não conseguir cumprir com sua agenda das reformas e fazer os ajustes necessários nas contas públicas.

Simone diz que a queda da Selic ao menor nível desde a sua criação traz dois tipos de sentimentos aos investidores:

• Conforto: por conta do aumento da confiança nos fundamentos econômicos que trilham uma retomada do crescimento, mesmo que lento e gradual.

• Desconforto: os investidores devem mexer um pouco mais em (diferentes) aplicações conservadores (financeiras), caso queiram bons (melhores) retornos. Pois a queda da Selic faz com que aplicações em renda fixa deixem de oferecer o "mágico" retorno de 1% ao mês fazendo com quer o investidor tenha que se expor mais ao risco para atingir este retorno.

E se o ritmo de queda permanecer, qual seria o impacto na economia?

Segundo Pasianotto, o ritmo de queda deve ir até maio com o esperado corte para 6,25% e deste momento em diante não se espera novas reduções e sim a permanência por um período nestes patamares. O impacto da taxa de juros na economia se continuarem em queda não é tão linear, pois também dependemos de outros fatores externos como as questões meteorológicas, políticas nacionais e internacionais.

Por outro lado, se a taxa subir, o quanto impactaria?

Pasianoto afirma que a correlação não é tão direta, pois a economia é uma ciência social e não exata. Uma alta ou baixa da Selic não significa que o PIB sofrerá as consequências de mesmo tamanho, tendo que este indicador é sensível a outros fatores como incerteza das eleições no Brasil.

Richard Wahba, Diretor Geral da Garín Investimentos, é hora de ficar atento aos juros futuros, por que se continuar a cair o efeito "estimulativo" sobre a economia será acelerado. Porém este movimento depende principalmente da continuidade do ajuste fiscal e da reforma da previdência que deve ser implementada pelo novo governo em 2019.

Antes das eleições e diante desta expectativa de juros em baixíssimo nível com um corte de 0,25pp esperado pela ampla maioria do mercado dificilmente esta redução surtirá efeito relevante nas taxas de juros repassadas aos consumidores e empresas.

Após as eleições, se o novo governo e congresso programarem as reformas que estão paradas, podemos ficar um bom tempo com Selic a 6,25%. Se não cumprir com as efetivações da reforma da previdência e do ajuste fiscal, as taxas de juros (que são relevantes para o crédito e consumo) sofrerão um aumento considerável podendo até voltar aos patamares de 2 dígitos.

A próxima reunião do Copom acontece em maio (16). Vamos aguardar o resultado do Banco Central, se manterá ou reduzirá mais uma vez. Ficaremos atentos!