Moedas empilhadas

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

19 FEV, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada quarta-feira (14), manteve a expectativa de crescimento do PIB de 2018 em 2,70% e a de 2019 em 3,00%.

A evolução da economia brasileira parece estar trafegando em rumo certo, apesar dos obstáculos que tem pela frente. A reforma da Previdência é um dos projetos mais importantes para reforçar a confiança do mercado investidor, interno e externo, nas ações do governo. A gestão pública brasileira detém ainda algum resquício de confiança graças à atuação do setor financeiro, liderado pelo Ministro Meirelles e pelo presidente do Banco Central. A área política, ao contrário, enfrenta sérias dificuldades para aprovar as reformas programadas em razão do descrédito que goza pelos erros que comete a cada decisão. Este cenário provavelmente é responsável pelo clima indefinido da economia na percepção do mercado.

Quarta-feira (14) foi divulgado pela agência o indicador da Thomson Reuters/Ipsos, que revela queda da confiança do consumidor em fevereiro, após dois meses seguidos de alta. O Índice Primário de Sentimento do Consumidor caiu 2,5 pontos na comparação com janeiro, quando atingiu maior pontuação em quase três anos. Outras duas conhecidas instituições, o Serviço de Proteção ao Crédito e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, divulgaram o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC), revelando que a expectativa dos brasileiros teve alta de 4% nos últimos doze meses, passando de 41,9 pontos para 43,6 pontos. Pela metodologia da pesquisa a esta pontuação (43,6) é considerada pessimista, pois é inferior a 50 pontos. Quanto maior a pontuação acima de 50 pontos a confiança do consumidor é considerada positiva. “A passos lentos, o humor do brasileiro com a economia do país e com a própria condição financeira mostra melhora, embora ainda permaneça em patamar baixo”, diz nota técnica das instituições.


Inflação

A pesquisa Focus reduziu a expectativa de inflação de 2018 de 3,94% para 3,84% e manteve a de 2019 em 4,25%.

A Fundação Getúlio Vargas divulgou quinta-feira (15) o IGP-10, índice que mede a evolução dos preços ao consumidor no período de 11 de janeiro a 10 de fevereiro, de 0,23% ante alta de 0,79% em janeiro. O resultado agora divulgado ficou dentro da projeção dos analistas financeiros consultados pelas Projeções Broadcast que esperava um avanço entre 0,10% e 0,50%, com mediana positiva de 0,32%. O IGP-10 acumula alta de 1,02% no ano e queda de 0,42% nos últimos doze meses. O desempenho da inflação continua dependente da confiança dos consumidores nas ações do governo e na aprovação das reformas em discussão no país.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,75% e a de 2019 em 8,00%. A ata da última reunião do Copom que reduziu a taxa Selic recorde para 6,75% registra:

"A evolução da conjuntura em linha com o cenário básico do Copom, a recuperação mais consistente da economia e uma piora no cenário internacional favoreceriam a interrupção do processo de flexibilização". A conclusão unânime do grupo foi indicar o encerramento do ciclo de corte dos juros "caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico" sem deixar de considerar a alternativa de queda moderada caso haja alteração nesse cenário. As notícias sobre a evolução da economia americana tem provocado volatilidade nos mercados internacionais, diante do temor de elevação da taxa de juros que aumentariam a rentabilidade dos títulos americanos e a repatriação de consideráveis recursos financeiros aplicados mundo afora, inclusive aqui no Brasil.


Dívida Pública

A pesquisa alterou a expectativa da dívida líquida de 2018 de 55,40% do PIB para 55,50% e reduziu a de 2019 de 57,95% para 57,90% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista