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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

18 JUN, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (28), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,18%, para 1,94% e a de 2019 de 3,00% para 2,80%. Caiu também a estimativa de crescimento industrial de 2018 e 2019 que era de 3,80% e 3,50% para, respectivamente, 3,51% e 3,20%.

Governo frágil e desacreditado, ambiente eleitoral adverso pela indefinição de candidaturas confiáveis, fraco desempenho econômico e economia externa desfavorável compõe um cenário econômico brasileiro preocupante. A greve de transportadores que imobilizou o país, fruto também da incompetência do governo, provocou o descrédito de investidores e a revisão das projeções econômicas para 2018 e 2019, pelas instituições financeiras e economistas. Os investimentos estrangeiros começaram a retornar para outros mercados mais seguros e tendem a escassear até que novo governo confiável se instale no país. O PIB de 2018 aos poucos vai desinflado e tal qual um balão furado não demonstra capacidade de recuperação.

A FGV informa que o Iace - Indicador Antecedente composto da Economia, que mede a atividade econômica do país, caiu 1% de abril para maio e chegou a 116 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. Conforme a instituição, as dificuldades de aprovação das reformas necessárias para a melhora do quadro fiscal e os desdobramentos da greve dos caminhoneiros pioraram a percepção com relação à retomada do nível de atividades, que já era considerada modesta, segundo a FGV. Já o Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE, FGV TCB) do Brasil, que mensura as condições econômicas atuais, caiu 0,1%, no mesmo período.


Inflação

Alterada esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 3,65% para 3,82% e a de 2019 de 4,01% para 4,07%. O IGP-10 da FVG, que mede os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência, relativo a junho, teve alta de 1,86%, ante 1,11% em maio, influenciada pelo desabastecimento decorrente da greve dos caminheiros. O IPA-10 – Índice de Preços ao Produtor Amplo da FGV, que mede a variação de preços no atacado e responde por 60% do índice geral, divulgado sexta-feira (15), teve acréscimo de 2,50% no período, contra 1,55% em maio. Este e outros componentes do índice geral revelam os efeitos negativos da greve que desestabilizou a produção da indústria, o abastecimento do comercio, o transporte do agronegócio e cenário econômico do país.

O IPC – Índice de Preços ao Consumidor da Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, na primeira semana de junho, também reflete o efeito da greve dos transportadores que contaminou cadeias inteiras como a do frango, suínos e vários produtos agrícolas, inclusive os de exportação. O índice passou de 0,19% no fechamento de maio para 0,57% na primeira avaliação de junho.

A curva da inflação revela tendência de alta depois de longo tempo de lenta e persistência queda. O cenário externo e principalmente o interno não são entusiasmante. Ao contrário, preocupa.


Juros

Boletim Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente. As previsões dos integrantes da pesquisa mantiveram em 6,5% a taxa de juros deste ano e a mediana das previsões que estava em 6,25% foi reduzida para 6,50%. A taxa média deste ano permaneceu em 6,53%, ante 6,34 % há um mês. O grupo Top 5 dos participantes da pesquisa que mais acertam as projeções, projetam uma inflação de 6,5% este ano, contra 6,25% um mês atrás.

Em entrevista coletiva quinta-feira (14) o presidente Ilan Goldfajn declarou que a Selic não será usada para controlar a taxa de câmbio, manifestando que as decisões do Copom são tomadas apenas durante a reunião, que será realizada na próxima semana. Disse o presidente que o cenário externo tornou-se mais desafiador, esclarecendo que o impacto das variações do dólar ocorre por “efeitos secundários” sobre a inflação.

A disparada do dólar, a decisão do FED de promover quatro revisões na taxa de juros americana, o indefinido cenário eleitoral e os efeitos deletérios da greve dos caminhoneiros na economia, são fatores que podem promover alteração no ritmo inflacionário e resultar em algum futuro efeito na taxa de juros.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e alterou levemente a de 2019 de 57,00% para 57,05% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista