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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

16 JUL, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (09), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,55% para 1,53% e manteve a de 2019 em 2,50%.

A expectativa de crescimento do PIB vem caindo, assim como, as projeções de crescimento industrial que foi reduzida de 3,17% para 2,65%, diante de um cenário pessimista, provocado pelo desempenho pífio do governo na gestão da crise, agravada pela recente greve dos caminhoneiros. O descrédito da atual gestão e a perda de liderança do governo junto ao legislativo tem causado sérios embaraços à economia brasileira, conforme comprova o desatino dos congressistas aprovando projetos que aumentam a despesa, agravam o endividamento e comprometem o orçamento em troca de votos dos setores beneficiados. Inúmeros indicadores da evolução econômica dos mais diversos institutos de pesquisa vêm retroagindo e agravando o nível de confiança dos empresários e investidores. Cremos que a recuperação da economia será difícil, senão impossível, nas atuais circunstâncias. Após as eleições, caso a sociedade brasileira entenda que ela é responsável pelo “status quo” e resolva votar com responsabilidade, será possível esperar-se a retomada do crescimento econômico e a execução das reformas tão esperada pelos brasileiros conscientes. Conforme manifestou recentemente Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real e consagrado economista, “o Brasil deve abrir sua economia, rever os benefícios tributários, privatizar estatais e deixar com o setor privado investimentos em infraestrutura e saneamento para retomar o crescimento econômico”.


Inflação

A pesquisa Focus alterou esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 4,03% para 4,17% e manteve a de 2019 em 4,10%. A projeção da pesquisa Focus para inflação deste ano continua crescendo, passando de 3,49% em abril para 4,17% hoje.

A Fundação Getúlio Vargas divulgou quarta-feira (11), a primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) do mês de julho, de 0,41%, que no mesmo período de junho atingiu 1,50%. A FGV informou, ainda, que os três indicadores que compõem a prévia do IGP-M apresentaram o seguinte resultado para o período: os preços no atacado aumentaram 0,34% contra uma variação de 2,06% em junho; a inflação no varejo cresceu 0,39% ante 0,54% no mês passado; e o custo da construção civil aumentou 0,91% contra 0,18% na primeira prévia de junho. O IGP-M usado especialmente na correção dos contratos de aluguel foi coletado no período de 21 a 30 de junho.


Juros

Mantida a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

A taxa de juros deve se manter sem alterações significativas enquanto o cenário eleitoral não defina o rumo das eleições. A indefinição da preferência do eleitorado e da política econômica dos candidatos que liderarem as pesquisas não forem conhecidas, a taxa de juros deve se manter estável.


Dívida Pública

Reduzida levemente a expectativa da dívida líquida de 2018 de 55,00% para 54,95% do PIB e manteve a de 2019 de 58,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista