PIB, inflação, juros, dívida pública

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

15 OUT, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (01), reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,35%, para 1,34% e manteve a de 2019, em 2,50%.

A sociedade esta dividida - referia no texto da semana passada: ou tomava o caminho no rumo de um passado conhecido, ou arriscava percorrer uma rota inexplorada, mas em terreno aparentemente menos acidentado. O passado conhecido é o da crise econômica, que aflige o país depois de 16 anos de medíocre gestão populista de esquerda (termo este superado, mas de uso comum nestas plagas atrasadas). A rota alternativa apontava para a região das reformas estruturais, há muito reclamadas e essenciais para resolver o problema da grave situação fiscal da nossa economia: previdenciária, tributária e política. A recuperação da economia depende dos investimentos e os investimentos dependem do rumo que a sociedade representada pelos eleitores, iria tomar na eleição de domingo (07).

A sociedade cumpriu sua parte. Ordenadamente e em proporção expressiva escolheu o rumo das reformas estruturais, indispensáveis para retomar a confiança da população, destravar o crescimento econômico do país e reverter previsões do FMI, divulgadas terça-feira (09), que reduziram a estimativa de crescimento do PIB brasileiro de 2018 e 2019 para, respectivamente 1,4% e 2,4%. O FMI previa em abril um PIB de 2,3% este ano e de 2,5% em 2019. Cabe-nos esperar pela decisão final do eleitor no segundo turno. O atraso nos espreita. O desenvolvimento nos sorri.


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,30% para 4,40% e a de 2019 de 4,20% para 4,19%. Para atingir a taxa projetada pela pesquisa de 4,40% é necessário que no período setembro/dezembro a taxa média mensal não supere 0,340%.

A projeção do mercado financeiro se aproxima do centro da meta deste ano que é de 4,5%. É a quarta alta consecutiva da estimativa do IPCA deste ano, consequência em parte da pressão de preços em vários setores da economia e do cenário eleitoral indefinido que tende a se normalizar ante o resultado do primeiro turno. O IGP-DI usado como referência para correções de preços e valores contratuais apresentou alta expressiva de 1,79% em setembro, ante 0,68% em agosto. A pressão dos preços no atacado e no varejo foi determinante para este comportamento atípico se comparado com o desempenho do índice nos últimos tempos. A FGV informa que o Índice de Preços ao Produtor Amplo, que responde por 60% do indicador, teve alta de 2,54% em setembro contra alta de 0,99% em agosto. O grupo combustíveis registrou no período uma alta de 9,64%, ante queda de 0,42% em agosto. O grupo transporte também evoluiu 1,09% contra 0,35% no mês anterior. A FGV informou quarta-feira (10) que a primeira prévia de outubro do IGP-M foi de 1,06%, pressionado pelos preços de combustíveis e lubrificantes ao produtor. Em setembro o IGP-M foi de 0,79%.


Juros

A pesquisa Focus manteve inalteradas as projeções da taxa de juros no fim dos anos 2018 e 2019 em respectivamente, 6,50% e 8,0%.

Havia comentários há poucos dias sobre a possibilidade do Banco Central aumentar a taxa de juros Selic. O resultado do primeiro turno das eleições mudou a expectativa de qualquer alteração na política de juros. O termômetro da economia representado pelo Ibovespa apresentou importante reação e a taxa de câmbio fechou com expressiva queda. Os ativos brasileiros se valorizaram alterando o cenário econômico e postergando qualquer mudança na taxa de juros no curto prazo. O resultado das eleições no segundo turno será determinante para qualquer ação do Banco Central.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018em 54,26% e alterou a de 2019 de 57,95% para 57,85% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista