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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

14 MAIO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (07), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,75%, para 2,70% e manteve a de 2019 em 3,00%.

lenta a recuperação econômica do país e deve se manter lenta este ano em razão de fatores políticos internos, no qual se destacam o enfraquecimento do governo atual e o ano eleitoral, e, externo, provocado pelas intempestivas decisões do midiático presidente americano no campo político e econômico. Um dos componentes do PIB, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) que representa a soma das riquezas produzidas pelo país no mesmo ano, pelo lado da demanda, demonstra o quanto as empresas aumentaram sua capacidade produtiva, como, por exemplo, os seus bens de capital, ou seja, bens que produzem outros bens. A evolução do FBCF é um indicador importante da confiança dos empresários na política econômica do país e do crescimento da capacidade de produção. Conforme divulgação do IPEA a FBCF cresceu 0,8% em março em relação a fevereiro de 2018 e 0,3% no acumulado do primeiro trimestre do ano, em comparação ao último trimestre de 2017, revelando uma recuperação gradual. A pesquisa Focus de certa forma corrobora com a ideia de que a retomada econômica será lenta e complicada ao reduzir a perspectiva de crescimento do PIB, este ano, de 2,89% em fevereiro, para 2,70% esta semana.


Inflação

Mantida esta semana a expectativa de inflação de 2018 em 3,49% e a de 2019 em 4,03%. A estimativa de inflação deste ano caiu de 3,95% em janeiro, segundo a Focus, para 3,49% esta semana, independente da pressão provocada pela recente alta da taxa do dólar. O IPCA de abril, de 0,22%, leva a inflação acumulada no primeiro quadrimestre a 0,98%, ante crescimento de 1,10% no mesmo período de 2017. Para fechar o ano com alta de 3,49%, a inflação mensal média do período maio/dezembro deve se manter próxima a 0,315%. O aumento dos preços provocado pelo período eleitoral e o decorrente da alta do dólar, deve repercutir negativamente na taxa de inflação. O Comitê de Política Monetária – Copom – projeta uma inflação de 3,8% no fim deste ano e de 4,1% em 2019, considerando o cenário econômico do mercado.


Juros

Mantem a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,25% e a de 2019 em 8,00%. O grupo de economistas participantes da pesquisa Focus estima um corte de 0,25 pontos percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, passando de 6,5% para 6,25%. A taxa Selic depois deste corte não deve sofrer alteração até o fim do ano. Alguns analistas estimam que ela permaneça vigorando até maio de 2019, quando passaria para 6,50% a.a., iniciando novo ciclo de alta.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e de 2019 em 57,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista