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Uma semana de relativa calmaria nos mercados (dias 9 a
13). Não tivemos grandes sustos, a não ser pela ocorrência de ajustes
nas bolsas de valores diante de indicadores econômicos não tão
favoráveis. Na verdade, o que se observa neste momento é a ausência de
grandes novidades no horizonte. Preocupa o cenário da economia
norte-americana, assim como as operações de desmonte das políticas
anticíclicas fiscais e monetárias adotadas e a formação de bolhas nos
mercados de ativos. Mas como prevê-las e daí evitá-las?
Com as políticas monetárias extremamente frouxas, a partir do juro
próximo a zero entre os países ricos, a retomada destas economias vem
ocorrendo com mais força, assim como o fluxo de capitais migrando para
os emergentes, tendo como destaque o Brasil, ainda praticando uma taxa
de juros nominal relativamente alta, em torno de 8,7%, enquanto que o
Fed vem praticando taxa próxima a zero, o Banco Central Europeu a
0,5%, o Banco da Inglaterra a 1,0% e o Banco do Japão a 0,1%.
Neste cenário, o dólar segue depreciado, com as moedas dos emergentes
valorizadas, pelo sucesso das boas políticas econômicas destes países,
mas não deixando de lembrar o diferencial de juro entre ambos. Nesta
semana, o dólar voltou a testar o piso de R$ 1,70, mesmo que fechando
a semana em alta, próximo a R$ 1,73. Em paralelo a isto, as bolsas,
povoadas de investidores estrangeiros, seguem turbinadas, com o
Ibovespa, por exemplo, registrando ganhos acima de 60% no ano.
Mesmo com o IOF a 2%, o ingresso de divisas se mantém, se bem que num
ritmo mais fraco do que no período anterior ao dia 20 de outubro.
Neste caso, o que vem derrubando o influxo de recursos talvez não seja
apenas esta medida em si, mas a sinalização de que novas devem ser
adotadas em breve.
Lembremos que em outubro o ingresso líquido foi de US$ 14,59 bilhões,
segundo maior resultado mensal em 27 anos, e nesta primeira semana de
novembro, até o dia 6, recuou a US$ 1,38 bilhão negativos.
Dentre as medidas em estudo, poderíamos citar a elevação do IOF para
as operações em renda fixa e a isenção para algumas operações em bolsa
de valores, como no caso dos IPOs. Outra seria a taxação das operações
de compra e venda de derivativos no mercado futuro, mecanismo que vem
sendo usado para tentar burlar esta taxação.
Na verdade, estes movimentos de ingresso de recursos externos e
depreciação do dólar não devem ser encarados como específico da bem
sucedida situação do Brasil, mas também dos desajustes da economia
norte-americana, atolada em grandes déficits estruturais, fiscais e
externos, assim como pelas incertezas sobre os rumos futuros das suas
economias. É um fenômeno, portanto, mundial, que só deve ser
amenizado, mas nunca revertido, no médio prazo.
Neste caso, uma maior coordenação entre a Fazenda e o BACEN vem se
fazendo necessária, tanto no sentido de estimular a demanda pela moeda
norte-americana, como também pela necessidade de reduzir o ingresso
destes recursos. Não faz sentido a adoção de medidas isoladas, mas sim
daquelas que sejam complementares. O Tesouro criar o IOF para o
ingresso de recursos, isoladamente, não resolve o problema de influxo
de recursos. É necessário se pensar em medidas que também estimulem a
demanda pela moeda norte-americana.
O fato é que se observa é um “embate surdo” entre dois grupos do
governo, de um lado Nelson Machado, secretário de Política Econômica
da Fazenda, defendendo medidas mais intervencionistas, gerando mais
ruídos no mercado, tendo, inclusive, defendido um câmbio em torno de
R$ 2,10 no País, e do outro lado, o BACEN, numa postura mais
pró-mercado, visando desregular as normas cambiais gradualmente, para
não gerar tantos ruídos ou incertezas entre os investidores do mercado
financeiro.
O desenrolar deste embate ainda promete, mas com isto o mercado
cambial vem oscilando mais, o que não é bem visto pelos agentes, por
trazer incertezas ainda maiores sobre os rumos da moeda. Neste
sentido, algumas medidas, em ação coordenada, seriam bem-vidas,
Vejamos:
No aumento da demanda por dólares:
· permitir que os fundos de investimento apliquem lá fora. Gera uma
maior demanda por divisas a serem usadas na compra de ações e títulos
em outros países;
· uso do Fundo Soberano na compra de dólares. Aumento da demanda por
dólares no Brasil;
· antecipação de dólares no pagamento de dívidas. Permite a compra de
dólares no presente para pagamentos de dívidas futuras;
· abertura de contas em dólar no País. Aumenta a demanda pela moeda
estrangeira e reduz a venda destas divisas captadas no exterior;
· aceitar garantias no exterior para operações nos mercados futuros de
títulos e ações. Pode gerar uma saída em torno de US$ 9 bilhões de
garantias internadas no País.
Redução no ingresso de divisas no País.
· emissão de títulos da dívida brasileira no exterior. Estrangeiros
podem ter rentabilidade de juro brasileiro sem ingressar com recursos
no País.
· permitir que bancos emitam dívidas de longo prazo, debêntures, no
Brasil. Reduz a necessidade de captações de recursos no exterior.
Aguardemos o que virá pela frente.
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