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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

13 AGO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (06), manteve pela quarta semana seguida a expectativa de crescimento do PIB de 2018 em 1,50% e a de 2019 em 2,50%.

Notícias divulgadas esta semana pelo IBGE dão conta que a produção industrial brasileira apresentou alta da ordem de 13,1 % em junho em relação ao mês anterior, melhor desempenho da serie histórica iniciada em 2002, recuperando parte das perdas decorrentes da greve dos caminhoneiros. Em relação ao mês de junho de 2017, a produção cresceu 3,5%. A produção cresceu recompondo a recessão da provocada pela greve, embora a situação econômica não tenha gerado nenhuma novidade. Há uma retomada do crescimento, leve e lenta, que não permite previsões alvissareiras. Afinal, o IBGE informa que a indústria apresentou queda de produção de 2,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro e teve acréscimo de 1,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. As perspectivas de crescimento da economia brasileira são problemáticas. O país enfrenta uma crise política de difícil solução provocada pelo período eleitoral dos mais complicados da recente história democrática. A ausência de programas de governo consistentes e de candidatos com comprovada competência gerencial agravam a crise política e alimentam a crise econômica provocando a paralização dos investimentos e a desconfiança dos empreendedores e a restrição dos consumidores.


Inflação

A pesquisa Focus manteve inalterada esta semana a estimativa de inflação de 2018 em 4,11% e a de 2019 em 4,10%. A projeção da pesquisa Focus para inflação deste ano apresenta relativa estabilidade pela terceira semana seguida, depois de atingir 4,17% em decorrência da greve dos caminhoneiros. A inflação medida pelo IPCA passou de 0,40% em maio para 1,26% em junho e caiu para 0,33% em julho. A inflação acumulada em 2018 é da ordem de 2,94%. Para fechar o ano conforme estimativa da pesquisa Focus, em 4,11%, a inflação media mensal no período agosto/dezembro deve se manter em 0,225%, equivalente à media mensal do primeiro quadrimestre do ano. A crise dos transportadores ainda é recente e seus efeitos negativos não cessaram ainda.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

A incerteza decorrente do complicado ambiente eleitoral e da carência de discussões dos principais problemas econômicos do país pelos pré-candidatos deve manter instável a evolução da taxa de câmbio. A complicada conjuntura internacional alimenta a instabilidade da moeda e a incerteza cambial.


Dívida Pública

A pesquisa alterou a expectativa da dívida líquida de 2018 de 54,90% para 54,25% do PIB e reduziu a de 2019 de 58,00% do PIB para 57,70%. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista