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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

11 JUN, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (28), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,37%, para 2,18% e manteve a de 2019 em 3,00%.

O PIB no primeiro trimestre deste ano cresceu 0,4% em relação ao último trimestre de 2017 e ante o primeiro trimestre do ano passado o crescimento foi da ordem de 1,2%, conforme divulgou recentemente o IBGE. O mercado financeiro participante da pesquisa Focus reduziu a estimativa de crescimento para este ano. Razões não faltam.

O Ministério da Fazenda estima um crescimento de 2,5%, enquanto o Banco Central projeta 2,6%, mas sujeita a alteração em curto prazo. O cenário econômico permanece confuso diante de tantos problemas internos, gerados por uma equipe governamental insegura, perdida entre corrupção, desmandos e politicagem, com exceção da equipe econômica cujo desempenho responde pelo prestigio da área. O cenário externo não é menos problemático. O crescimento da economia americana, a política de altas frequentes dos juros, a diplomacia de confronto de Trump com parceiros comerciais em todos continentes, as disputas nucleares com Irã e Coreia do Norte, as posições provocativas no Oriente Médio, criaram um ambiente adverso ao melhor intercâmbio comercial internacional. O desempenho da economia dos países emergentes, especialmente, vem sendo prejudicado com estes eventos externos.


Inflação

Alterada nesta semana a estimativa de inflação de 2018 de 3,60% para 3,65% e a de 2019 de 4,0% para 4,01%. A estimativa de inflação deste ano tende a crescer em razão dos efeitos negativos da greve dos caminhoneiros, conforme escrevi na semana passada: “A greve dos transportadores que agitou o país na última semana terá reflexo deletério na inflação de custo da maioria dos setores econômicos. Sofrerão alterações significativas os índices de inflação, de consumo das famílias, do volume e preço da prestação de serviços, de transporte de carga e de pessoas, de comercio de bens perecíveis e de produtos industrializados, podendo se refletir também no comércio exterior”.

Os primeiros efeitos negativos do aumento dos combustíveis e a repercussão nos demais setores da economia começaram a ser revelados, ainda esta semana, com a divulgação do IPCA de maio pelo IBGE, que fechou em 0,40% ante 0,22% em março. Os efeitos negativos da greve devem persistir por mais alguns meses até que a reposição de estoques de alimentos e insumos permita a retomada da produção setorial. A reação do câmbio e o IPCA de junho devem revelar a gravidade da situação econômica que o país vai enfrentar com todos esses problemas agravados pelo período eleitoral, cada dia mais indefinido.


Juros

Mantida a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,50%, assim como, a de 2019 em 8,0%. O tema do aumento dos juros voltou à discussão esta semana. Os efeitos negativos da greve dos transportadores levou a crise ao mercado financeiro. Os contratos de juros futuros sofreram o impacto da repercussão da greve que afetou todos os setores econômicos. Nesta sexta-feira foram negociados a 6,845%, para vencimento em outubro próximo. Considerando que a taxa Selic esta fixada em 6,5% a.a. a percepção é a de que os investidores estão estimando uma alta dos juros nas próximas reuniões do Copom. O presidente da instituição, Ilan Goldfajn rejeita, porém, usar os juros para conter a volatilidade cambial.

É importante acompanhar o desenvolvimento da economia americana, cuja política de juros provoca tumulto cambial mundo afora, afetando especialmente os países emergentes que sofrem com o retorno dos dólares aos EUA em busca de melhor retorno e maior segurança.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e de 2019 em 57,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista