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Bancos resistem à portabilidade do crédito
09 Novembro de 2009
Reinaldo Cafeo*

Em todos os setores da economia é sempre salutar a concorrência. Os consumidores precisam de opções para escolher o melhor produto ou serviço no sentido de maximizar o uso de seu dinheiro. Isso é realidade em muitos segmentos, contudo, no setor bancário isto está distante.

O mercado bancário está cada vez mais concentrado. São aquisições e incorporações que tornam este mercado mais estreito. Por outro lado há uma tentativa em garantir mais mobilidade ao correntista, entretanto os bancos resistem como podem.

Na prática a sociedade vive uma total dependência do setor bancário. Isso ficou mais evidente na recente greve dos bancários que atingiu parte do território nacional. Todos se viram perdidos e sem alternativas para contornar tal dependência.

A denominada portabilidade do crédito foi criada visando oferecer ao correntista liberdade de escolha. Muitas vezes, no sentido de evitar a perda do histórico de relacionamento com o banco, os correntistas se vêem obrigado a aceitar condições impostas pelo banco em relação às tarifas, modalidades de crédito, taxa de juros e prazo de financiamento. Esta prática vai no sentido contrário a livre concorrência. Acaba gerando certa imposição por parte dos bancos à medida que o correntista se vê acuado, sem opções.

Com a portabilidade do crédito é possível abrir negociação. Um banco concorrente pode oferecer condições mais vantajosas, que levaria a economia em termos de juros ou até mesmo um alívio no fluxo de caixa do correntista.. Esse correntista então poderia conseguir novo crédito, liquidando o crédito antigo e mais caro. Seria o amplo conceito da liberdade de escolha

Isto seria verdadeiro se os bancos apostassem nisso, mas se fazem de mortos. Experimente manter contato com um banco pedindo orientações sobre a portabilidade. Irão desconversar e até mesmo dizer que desconhecem o assunto.

Isso nos remete a imaginar que não há interesse por parte dos bancos que compõem o sistema bancário nacional. É como se houvesse um acordo entre eles, ilegal naturalmente. Passam a impressão que se um banco for mais agressivo nesta questão, sofrerá uma reação de todo o sistema e haveria perda de rentabilidade e até mesmo de clientes.

O caminho é o governo sair na frente. Estimular os bancos oficiais e entrarem nesta briga. Com publicidade agressiva os correntistas poderiam trocar de banco e com isso reduzirem o custo de suas operações.

Considerando que é um mercado com poucos e importantes grupos financeiros, não é tarefa fácil mudar o comportamento enraizado há anos. Mas é preciso dar um primeiro passo.

Oxalá que no futuro cada de um de nós possa efetivamente ter liberdade de escolha, não depender de uma única empresa e acima de tudo poder maximizar o uso do suado dinheiro.

Até que isso aconteça que ao menos o governo use seu poder para interferir neste mercado em favor dos correntistas.

 


* Economista, professor universitário, pós-graduado em Engenharia Econômica, mestre em Comunicação. Atualmente, é Delegado do Conselho Regional de Economia - CORECON, consultor empresarial nas áreas econômico-financeira, diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru, perito habilitado para atuar em processos na Justiça do Trabalho e Cível (perícia econômico-financeira), comentarista econômico da TV GLOBO e da 94fm Bauru e Diretor do Jornal O Planeta Economia

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