PIB, inflação, juros, dívida pública

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

08 OUT, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (01), manteve a estimativa de crescimento do PIB de 2018 em 1,35% e a de 2019, em 2,50%.

A estagnação da nossa economia tem raízes em muitas causas. Hoje, sem dúvida, o fator confiança é o que mais impacta no ânimo dos investidores. O ambiente político indefinido realimenta a desconfiança do mercado e protela os projetos de investimentos, há tempos engavetados nos escaninhos da insegurança dos investidores. Neste ambiente de incertezas é impossível qualquer projeção do desempenho econômico do país. A radicalização do cenário eleitoral aprofunda o risco de agravamento da crise econômica. A sociedade esta dividida: ou toma o caminho no rumo de um passado conhecido, ou arrisca percorrer uma rota inexplorada, mas em terreno aparentemente menos acidentado. O passado conhecido é o da crise econômica, que aflige o país depois de 16 anos de medíocre gestão. A rota alternativa se dirige à região das reformas estruturais que afetam o problema fiscal da nossa economia: previdenciária, tributária e política. A recuperação da economia depende dos investimentos e os investimentos dependem do rumo que a sociedade, representada pelos eleitores, irá tomar domingo (07).


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,28% para 4,30% e a de 2019 de 4,18% para 4,20%. Para atingir a taxa projetada pela pesquisa de 4,30% é necessário que no período setembro/dezembro a taxa média mensal não supere 0,308%.

Alguns indicadores que medem a evolução da inflação veem demonstrando relativo crescimento nos últimos tempos. É o caso do IPC-Fipe que mede as variações quadrissemanais dos preços às famílias paulistanas com renda mensal entre 1 e 10 salários mínimos, informou a Fundação terça-feira (02), que o índice de setembro encerrou com alta de 0,39% ante 0,49 em agosto, pressionado pelo custo dos itens transportes e despesas pessoais.

O IBGE divulgou sexta-feira (05) o IPCA de setembro de 0,48%, que acumula uma inflação de 3,34% no ano e de 4,53% nos últimos doze meses, índice este que supera a centro da meta de 4,5%. A inflação de setembro foi a maior taxa mensal desde setembro de 2015 (0,54%). Este desempenho negativo no acumulado de doze meses não deve alterar a política de juros do Banco Central. O desemprego elevado, a economia estagnada, a queda da produção industrial e o baixo consumo das famílias seguram o risco de uma elevação desenfreada dos preços, mesmo considerando as incertezas decorrentes do período eleitoral. O último trimestre do ano deve definir a inflexão da curva de inflação após resultado das eleições. O rumo que o eleitor escolher será determinante.


Juros

A pesquisa Focus manteve inalteradas as projeções da taxa de juros no fim dos anos 2018 e 2019 em respectivamente, 6,50% e 8,0%.

O Copom em sua última reunião antes da eleição decidiu quarta-feira (19), manter a taxa Selic em 6,5%, pela quarta vez seguida no nível mais baixo desde 1996. O mercado monitora o comportamento da inflação e do câmbio em razão das incertezas do cenário eleitoral.


Dívida Pública

A pesquisa alterou a expectativa da dívida líquida de 2018 de 54,20% para 54,26% e a de 2019 de 57,90% para 57,95% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista