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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

07 MAIO, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (30), manteve a expectativa de crescimento do PIB de 2018 em 2,75% e a de 2019 em 3,00%. O grupo de economistas consultados, semanalmente, pela pesquisa Focus manteve as projeções da semana anterior para o comportamento do PIB. Há um mês o crescimento do PIB era estimado em 2,84% ante 2,75% hoje. O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, informou sexta-feira (4) que a equipe econômica vai aguardar o resultado do crescimento da economia do primeiro trimestre, que será publicada dia 30 do corrente, para revisar a projeção do PIB deste ano. Caso o PIB seja revisado para baixo, haverá impacto na previsão de receitas deste ano o que pode provocar corte de gastos para cumprir a meta de déficit primário deste ano de R$ 159 bilhões. O expressivo déficit é consequência da irresponsabilidade fiscal dos governos populistas anteriores que gastaram mais do que podiam para manter o poder. Os políticos brasileiros, aliás, preocupam-se primeiro com a manutenção do poder em detrimento de uma gestão voltada a criar condições favoráveis para o investimento da iniciativa privada e a criação de emprego. “O governo não gera renda. O governo competente gera condições favoráveis para o crescimento econômico, criando um cenário que possibilite a iniciativa privada, esta sim, geradora de renda, investir, expandir o emprego e criar riqueza.” Este mantra deve ser repetido diante dos políticos brasileiros que se candidatam à presidência da republica


Inflação

Mantida a expectativa de inflação de 2018 em 3,49% e alterou a de 2019 de 4,0% para 4,03%. A inflação deste ano deve sofrer pressão no período eleitoral por iniciativas do governo que busca manter o poder ou em decorrência de fatores econômicos internos e externos. Entre fatores internos destacam-se: ações eleitoreiras do governo; preço dos combustíveis decorrentes da nova política da Petrobrás; e energia elétrica se for necessário uso intenso das termoelétricas. Como fator externo a alta do dólar deve, também, pressionar o IPCA pelo aumento de preço de produtos e insumos importados. O dólar que acumula alta superior a 6,5% este ano, mantém essa tendência conforme demonstra a cotação da moeda americana nos últimos dias. Este é um componente importante da inflação, mas que em decorrência da queda da atividade econômica, inibe maiores repasse de aumentos de preços de insumos para os consumidores. As projeções de inflação da pesquisa Focus são aceitas por considerável parcela do mercado.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,25% e a de 2019 em 8,00%. A projeção da taxa de juros no patamar atual das previsões da pesquisa Focus é viável. Os fatores econômicos envolvidos na definição da taxa Selic não são contestados pelo mercado. A discussão que está dominando o tema juros é o da relação taxa Selic X taxa de juros praticados nas instituições financeiras. As taxas praticadas pelos bancos são tão elevadas que é difícil ou impraticável justifica-las em razão do nível dos depósitos compulsórios e da inadimplência dos credores. A recuperação econômica brasileira enfrenta inúmeros obstáculos. Entre os principais se destaca a taxa de juros praticados pelas instituições financeiras, que atingem 365% no caso dos cheques especiais, para não falar dos aplicados nos empréstimos pessoais e nas operações com cartão de crédito (348,40 – rotativo), considerados os maiores do mundo. A concentração bancaria é considerada como uma das causas principais, pois os quatro maiores bancos respondem por 78,5% do crédito concedido, contra 55% dez anos atrás. Com a inadimplência em queda, o depósito compulsório reduzido e os impostos estáveis, o nível dos juros nas instituições financeiras é inexplicável. Urge medidas rigorosas das instituições financeiras para analisar o spread dos bancos e do Congresso para aprovar as normas do cadastro positivo a fim de implantá-lo imediatamente.


Dívida Pública

Mantida a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e de 2019 em 57,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista