Moedas empilhadas

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

05 MAR, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (26), alterou a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 2,80% para 2,89% e manteve a de 2019 em 3,00%.

O IBGE divulgou quinta-feira (1º) o PIB de 2017 no valor de R$ 6,559 bilhões, com crescimento de 1%. O crescimento do último trimestre do ano de 0,1% em relação ao trimestre anterior ficou abaixo do esperado pelos analistas financeiros e pelo próprio governo, embora tenha crescido 2,5% em relação ao último trimestre de 2016. O importante é que a economia do país voltou a crescer depois de forte recessão, que começou em 2014, fruto da desastrada política econômica do governo. Avaliação do Comitê de Datação de Ciclos da FGV revela que o Brasil, efetivamente, deixou a recessão no primeiro trimestre do ano passado. Este crescimento, todavia, não compensa as quedas do PIB de 3,5% nos anos de 2015 e 2016, fazendo com que o PIB de 2017 tenha retrocedido ao patamar do primeiro semestre de 2011. Cálculos da FGV indicam que o PIB crescendo conforme expectativas dos analistas financeiros participantes da pesquisa Focus (2,9% em 2018 e 3% em 2019), o patamar pré-recessão de 2014 só será recuperado em 2020 e o PIB per capita só em 2022. Convém registrar, por oportuno, a importância do eleitor no processo de crescimento de um país. Fator que considero crítico aqui em razão do baixo nível cultural da nossa sociedade, submetida a um caótico sistema educacional que acaba desqualificando o currículo dos candidatos e a própria escolha dos eleitores. A queda da inflação e da taxa de juros e o ingresso de recursos no mercado, decorrente da liberação do FGTS e do FAT, movimentou o consumo e estimulou a produção industrial. “O quarto trimestre revela a consolidação da retomada, em praticamente todas as contas que compõe o PIB, principalmente às relacionadas à demanda doméstica”, avalia a Coordenação das contas nacionais do IBGE. O PIB per capita de 2017 ficou em R$ 31.587, crescendo 0,2% em relação a 2016. O ministro Meirelles declarou quinta-feira (1º) que: "Estamos entrando em 2018 com um crescimento forte, sólido, o que dá base e confirma nossas expectativas de alta do PIB de 3% neste ano." Como se vê o governo está entusiasmado com o desempenho de 2017, mas deve se descontar uma parcela de motivação eleitoreira. Entendo que a recuperação do PIB será mais lenta do que as expectativas governamentais em razão do alto desemprego, do ritmo de crescimento moderado do consumo e do insuficiente volume de investimento público cujos governos em todos os níveis estão quebrados.


Inflação

A pesquisa Focus reduziu a expectativa de inflação de 2018 de 3,81% para 3,73% e manteve a de 2019 em 4,25%.

Há alguns setores da economia que entende que o Banco Central tem agido com rigor na redução e controle da inflação, mas descuidando um pouco do crescimento econômico, mesmo com redução da taxa de juros. O ministro Meirelles afirmou quinta-feira (1º) “que o governo planeja formalizar, dentro do projeto de lei que institui a autonomia do Banco Central, a determinação de que os diretores devem perseguir o intervalo de tolerância previsto na meta de inflação”. Esta vinculação à meta de inflação atende a preocupações de que a instituição persiga com excesso o controle da inflação prejudicando o crescimento da economia. Esta preocupação não ocorre só no Brasil. Hoje é uma discussão presente em vários lugares do mundo sobre a necessidade de se evitar que o controle exagerado da inflação não prejudique o crescimento econômico. Declara o ministro: em tese, o Banco Central, não esse, mas algum futuro poderia exagerar e jogar a inflação muito mais baixo do que seria necessário. Isso poderia estar abaixo da meta. Mas existe uma solução para isso, que desenvolvemos, e estou conjugando. É termos mandato de controlar a inflação e provisões como incorporar no próprio projeto sistemas de meta de inflação, piso, intervalo de tolerância.


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 em 6,75% e a de 2019 em 8,00%.

A queda expressiva dos juros básicos feita pela política do Banco Central, que caiu de 14,25 para 6,75%, não conseguiu evitar o crescimento da taxa de juros do mercado de crédito, nem reduziram a inadimplência no segmento de recursos livres, que subiu de 4,9% em dezembro para 5% em janeiro, face ao alto nível do desemprego. O spread bancário de 32,9 pontos percentuais em janeiro apresentou alta de 1,1% em relação ao mês anterior. A taxa média de juros no segmento de recursos livres teve alta de 0,8%, passando a 41,1%.

Boletim Focus (original)

*Economista