PMI Industrial

Atividade Industrial em contração, com saúde no setor em deterioração

04 JUL, 2018 / POR: Agência Enfoque

                                   

PMI Industrial do Brasil marca 49,8 pontos em junho

O Instituto Markti Economics divulgou que o Índice Gerente de Compras™ (PMI® ) IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, registrou em território de contração, abaixo de 50,0, pela primeira vez desde março de 2017. Ao baixar de 50,7 em maio para 49,8 em junho, o número básico ficou consistente com uma deterioração marginal na saúde do setor.

Os protestos dos caminhoneiros pressionaram o desempenho do setor industrial do Brasil em junho. As empresas receberam um número menor de pedidos, o que resultou em corte de empregos. Os bloqueios impediram a entrega de insumos, o que, por sua vez, prejudicou a produção. Ao mesmo tempo, a inflação de custos de insumos alcançou a sua segunda maior marca na história da pesquisa, forçando a inflação de preços cobrados a atingir um recorde de alta de vinte e oito meses.

O volume de produção do setor industrial caiu em junho, pondo um ponto final num período de quinze meses de crescimento ininterrupto. Além disso, a taxa de redução foi sólida. Segundo os entrevistados, a desaceleração refletiu a queda na quantidade de novos trabalhos e a escassez de insumos para uso no processo de produção.

Como foi o caso para o volume de produção, a quantidade de pedidos recebidos diminuiu pela primeira vez desde fevereiro de 2017, com a demanda sendo contida, segundo relatos, pela interrupção causada pelos protestos dos caminhoneiros.

Ao mesmo tempo, a demanda externa por produtos brasileiros melhorou, com as novas vendas para exportação crescendo em ritmo mais rápido desde novembro passado. Os entrevistados da pesquisa sugeriram que foram obtidos novos trabalhos provenientes de clientes externos, em sintonia com a desvalorização do real em relação ao dólar americano.

A escassez de materiais junto aos produtores de mercadorias causou um aumento nos negócios pendentes. O crescimento pôs um ponto final num período de trinta e dois meses de redução de pedidos em atraso e foi o mais acentuado nos doze anos de história da pesquisa.

De fato, os estoques tanto de insumos quanto de itens acabados caíram em relação aos níveis registrados em maio. A queda mais acentuada foi observada nos estoques de insumos.

Segundo relatos, a escassez de alguns itens e a demanda forte pelos mesmos levaram os fornecedores a ajustar para cima as tabelas de preços. Como resultado, a inflação de custo de insumos alcançou a sua segunda taxa mais elevada desde que os dados foram disponibilizados pela primeira vez em fevereiro de 2006.

As empresas repassaram aos clientes parte da carga adicional de custos cobrando mais por seus produtos em junho. Além disso, a taxa de inflação de preços de produtos se intensificou e atingiu o seu ponto mais forte desde fevereiro de 2016.

Os bloqueios também se traduziram numa deterioração adicional nos prazos de entrega. O desempenho dos fornecedores piorou da maneira mais significativa na história da pesquisa.

Iniciativas de redução de custos e menores volumes de vendas levaram alguns fabricantes a reduzir o número de funcionários no final do segundo trimestre. Embora tenha sido modesto, o corte de empregos de junho pôs um ponto final numa sequência de oito meses de crescimento de empregos.

Os produtores brasileiros de mercadorias preveem um crescimento da produção nos próximos doze meses, mas o grau de otimismo caiu, atingindo um recorde de baixa de oito meses.

Fonte: Enfoque