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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

03 SET, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (27), reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,49% para 1,47% decorrente de corte expressivo nas contas para o aumento da produção industrial. A projeção de evolução do PIB em 2019 foi mantida em 2,50%.

O IBGE informou sexta-feira (31) que o PIB brasileiro cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro. A previsão do mercado era de crescimento de 0,1%, conforme levantamento da Bloomberg e de 0,3% segundo projeções do dos bancos Fibra e Itaú. Foi a sexta alta trimestral seguida mesmo que de baixa expressão.

Quarta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Economia da FGV informou que o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) recuou 1,5 ponto entre julho e agosto, fechando o mês em 114,2 pontos, valor que revela elevada incerteza pelo sexto mês consecutivo. Contribuem para este resultado negativo fatores internos e externos. Entre os internos destacam-se os níveis elevados de incerteza eleitoral por se ignorar se o novo governante eleito fará os ajustes de natureza fiscais necessários e realizará as reformas econômicas reclamadas pela sociedade. Como fatores externos apontam-se a crise da lira turca que afeta a economia dos países emergentes depreciando as moedas locais ante o dólar, como já acontece aqui com o real. A expectativa é que o IIE-BR se mantenha elevado nos próximos meses em razão do nosso desconfortável cenário interno.

A FGV divulgou também, terça-feira (28), o Índice de Confiança da Indústria (ICI) revelando que o indicador recuou 0,4 pontos de julho para agosto, fechando em 99,7 pontos, menor pontuação desde os 99,4 de janeiro deste ano. A queda desse indicador reflete "a fragilidade da recuperação industrial, retratada pela sondagem ao longo do ano, culmina em agosto com o ICI registrando nível inferior aos 100 pontos (baixa confiança) pela primeira vez desde janeiro" conforme interpretação da FGV. A "falta de boas notícias e bons resultados, e o elevado nível de incerteza mantido por questões internas e externas, tornam a recuperação da confiança mais distante no horizonte temporal".


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,15% para 4,17% e a de 2019, de 4,10% para 4,12%. A alteração da estimativa de inflação foi provocada também pela perspectiva de alta do dólar no fechamento do ano. O centro da meta para este ano é de 4,50% e a de 2019 é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5% para mais ou pata menos para ambos os períodos.

O IPCA-15 desacelerou em agosto em relação a julho, passando de 0,64% para 0,13%, menor nível para o mês em oito anos. O índice acumula 4,3% nos últimos doze meses. O IGP-M índice utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis, apresentou alta de 0,70% em agosto ante 0,51 em julho, superando os 0,65% esperado pelo mercado. A alta foi motivada pela pressão dos preços dos produtos agropecuários no atacado compensando o alívio no varejo. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60 por cento do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, registrou no mês avanço de 1,00 por cento, depois de ter subido 0,50 por cento no mês anterior. No mês, os Produtos Agropecuários passaram a subir 1,60 por cento, depois de terem recuado 1,83 por cento em julho. Já no varejo a pressão foi menor uma vez que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30 por cento no índice geral, desacelerou a alta a 0,05 por cento em agosto, depois de ter avançado 0,44 por cento antes. O grupo Habitação deu a principal contribuinte para o resultado, desacelerando a alta a 0,54 por cento, depois de ter avançado 1,37 por cento no mês anterior, com destaque para a tarifa de eletricidade residencial. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,30 por cento, contra avanço de 0,72 por cento em julho.

A perspectiva de inflação de agosto, medida pelo IPCA do IBGE, tendo em vista os índices já divulgados, é de leve alta em relação a julho em razão das incertezas do cenário interno e externo.


Juros

A pesquisa Focus vem mantendo desde 24 de maio a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

A inflação baixa, o desemprego elevado e a pressão do dólar não alteraram a intensão do Banco Central de manter os juros baixos. Especialistas e o próprio mercado manifestam opinião de que os juros tendem terminar o ano no patamar de 6,5%, menor percentual da história. O cenário eleitoral indefinido e o resultado das eleições podem, eventualmente, alterar a inflexão da trajetória dos juros no final do ano e na projeção da taxa em 2019. Os candidatos não manifestaram ainda nenhuma preocupação com elevado déficit do governo e não apresentaram qualquer projeto para enfrentar este problema que tanto afeta o nível dos juros.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 54,25% do PIB e alterou a de 2019 de 57,70% para 57,40% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista