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Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

02 JUL, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (25), reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,76%, para 1,55% e a de 2019 de 2,70% para 2,60%.

A projeção do PIB constante da pesquisa Focus vem se esfarelando a cada semana. De 2,75% em 30 de abril, caiu para 1,55% nesta semana. A queda da confiança de empresários e consumidores, reforçada pela greve dos caminhoneiros, o ritmo de recuperação da economia paralisado, o governo desacreditado com lideranças envolvidas em corrupção e um ambiente eleitoral desolador derrubaram as projeções de crescimento da economia este ano. O legislativo é um poder paralisado pela ineficiência da maioria de seus membros, preocupados com seus problemas de conduta e com a reeleição destinada a protegê-los das penas da lei. Um legislativo com esses defeitos não consegue cumprir com suas obrigações. O Poder Judiciário liderado por um STF envolvido em conflitos internos provocados por decisões pessoais em detrimento do conceito de colegiado, lamentavelmente, enfraquece sua imagem perante a sociedade. O Brasil, por tudo isso, realmente é um país cada vez mais difícil de governar.

O Banco Central reduziu sua expectativa em relação ao PIB deste ano de 2,6% em março par a 1,6% hoje. Foram revisados para baixo o desempenho da indústria, comércio e serviços. No Relatório Trimestral de Inflação divulgado quinta-feira (28) a instituição declara: "A revisão está associada ao arrefecimento da atividade no início do ano, a acomodação dos indicadores de confiança de empresas e consumidores e a perspectiva de impactos diretos e indiretos da paralisação no setor de transporte de cargas ocorrida no final de maio".


Inflação

A pesquisa Focus alterou esta semana a estimativa de inflação de 2018 de 3,88% para 4,00% e manteve a de 2019 em 4,10%. A projeção da Focus vem crescendo desde o inicio do ano. Em final de abril a estimativa era de um IPCA de 3,49% este ano, crescendo hoje para 4,00%. Os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros alimentam o aumento do custo de vida e podem elevar a taxa de inflação acima das projeções da pesquisa semanal.

O Conselho Monetário Nacional reduziu a meta de inflação de 2021 para 3,75%, mantendo um intervalo de tolerância de 1,5 pontos percentual para mais ou para menos, conforme decisão comunicada terça-feira (26). A meta estabelecida para este ano é de 4,5%, caindo para 4% em 2020. Nota divulgada pelo Ministério da Fazenda declara que o regime de metas de inflação, criado há 19 anos, “esta maduro suficiente para permitir a redução”. "A percepção de que a economia brasileira pode conviver com taxas de inflação mais baixas de forma sustentável se manifesta nas expectativas dos analistas de mercado, coletadas pela pesquisa Focus, conduzida pelo Banco Central".


Juros

A pesquisa Focus manteve a estimativa da taxa Selic de 2018 e 2019 em 6,50% e 8%, respectivamente.

Nada indica que a taxa de juros possa sofrer alguma alteração em curto prazo. As pesquisas e a manifestação das autoridades monetárias expressam opiniões nesse sentido. A estagnação da economia, a paralização dos investimentos de empresários e do próprio governo e as incertezas internas e externas recomendam a manutenção dos juros nos níveis atuais, conforme opinião de especialistas.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 55,00% do PIB e alterou a de 2019 de 57,15% para 58,00% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista