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As empresas familiares são a forma predominante de empresa
em todo o mundo. Elas ocupam uma parte tão grande da nossa paisagem
econômica e social que nem sequer nos damos conta disto.
Nas economias capitalistas, a maioria das empresas se inicia com as
ideias, o empenho e o investimento de indivíduos empreendedores e seus
parentes. Casais juntam suas economias e dirigem lojas em conjunto. Irmãos
e irmãs aprendem o negócio dos pais desde crianças, ficando atrás de
balcões ou na plataforma de carga depois da escola.
Fazer com que um empreendimento empresarial tenha sucesso e depois passar
de pais para filhos (e, recentemente, filhas) não é apenas um sonho
americano. O sucesso e a continuidade das empresas familiares são o sonho
dourado para grande parte da população do mundo.
Considera-se que, no mundo, cerca de 70% a 85% das empresas são
controladas por famílias. É verdade que muitas delas são pequenas
propriedades que nunca irão crescer ou ser passadas de uma geração para
outra. Mas também é verdade que muitas estão entre as maiores e mais bem
sucedidas do mundo. Estima-se que 40% das 500 maiores empresas listadas
pela revista Fortune sejam de propriedade de famílias ou por elas
controladas.
As empresas familiares geram metade do Produto Nacional Bruto dos Estados
Unidos e empregam metade da força de trabalho. Na Europa, elas dominam o
segmento das pequenas e médias, e em alguns países, chegam a compor a
maioria das grandes empresas. Na Ásia, a forma de controle familiar varia
de acordo com nações e culturas, mas as empresas familiares ocupam
posições dominantes em todas as economias mais desenvolvidas, com exceção
da China. Na América Latina, grupos construídos e controlados por famílias
constituem a principal forma de propriedade privada na maioria dos setores
industriais.
Para a maior parte das pessoas, as duas coisas mais importantes em suas
vidas são sua família e seu trabalho. É fácil compreender o poder das
organizações que combinam ambas as coisas. Estar em uma empresa familiar é
algo que afeta todos os participantes. O papel de presidente do conselho é
diferente quando a empresa foi fundada pelo seu pai, e sua mãe e seus
irmãos participam das reuniões, assim como se sentam em torno da mesa de
jantar. O trabalho de um CEO (Chief Executive Officer) é diferente quando
o vice-presidente, na sala ao lado, é também a sua irmã mais nova. O papel
de sócio é diferente quando o outro sócio e um cônjuge ou um filho. O
papel de representante de vendas é diferente quando uma pessoa cobre o
mesmo território que há 20 anos era coberto pelo seu pai e há 25 pelo seu
avô. Até mesmo passar pela porta da empresa em seu primeiro dia de
trabalho, seja numa linha de montagem ou no setor de faturamento, é
diferente se o nome acima da porta é o seu.
E esta diferença não é apenas um sentimento. Ela está enraizada na
realidade da empresa. As empresas possuídas e administradas por famílias
constituem uma forma organizacional peculiar, cujo caráter especial tem
consequências positivas e negativas.
Elas extraem uma força especial de história, identidade e linguagem comuns
a famílias. Quando dirigentes-chave são parentes, as tradições, valores e
prioridades brotam de uma fonte comum. As comunicações, verbais ou não,
podem ser grandemente aceleradas nas famílias. Cônjuges e irmãos têm maior
probabilidade de entender as preferências explícitas e as forças e
fraquezas ocultas uns dos outros. Mais importante, o empenho, até mesmo ao
ponto do auto-sacrificio, pode ser solicitado em nome do bem-estar geral
da família.
Entretanto, esta mesma intimidade também pode trabalhar contra o
profissionalismo do comportamento empresarial. Antigas histórias e
dinâmicas familiares podem se intrometer nos relacionamentos de negócios.
Pode ser mais difícil exercer autoridade com os parentes. Os papéis na
família e na empresa podem se tornar confusos. As pressões da empresa
podem sobrecarregar e destruir relacionamentos familiares.
Quando trabalhando mal, é possível criarem-se níveis de tensão, raiva,
confusão e desespero, que podem destruir, de forma surpreendentemente
rápida, boas empresas e famílias sadias. Algumas tragédias familiares
acompanhadas de desastres nos negócios são de conhecimento público. A
família Bingham, em Louisville, os Pulitzer e os du Pont são leitura
obrigatória.
Infelizmente, os fracassos sensacionais às vezes obscurecem a beleza de
empreendimentos familiares bem sucedidos. Quando trabalhando em harmonia,
as famílias podem trazer para a empresa níveis de comprometimento,
investimento a longo prazo, ação rápida e dedicação ansiados por empresas
não-familiares, mas raramente alcançados. As empresas familiares são
tremendamente complicadas, mas ao mesmo tempo, decisivas para a saúde da
nossa economia e a satisfação de milhões de pessoas.
Todavia, nem sempre os profissionais estão preparados para lidar com a
natureza especial deste tipo de empresas familiares. A influência das
famílias sobre os negócios que elas possuem e dirigem muitas vezes é
invisível para os teóricos e para as escolas de administração.
Os tópicos principais do ensino de administração do comportamento
organizacional, estratégia, finanças, marketing, produção e contabilidade
são ensinados sem que se diferenciem empresas familiares e não-familiares.
Os modelos econômicos subjacentes a maior parte da ciência da
administração dependem da intercambiabilidade dos responsáveis pelas
decisões, portanto, não faz diferença quem eles são.
Normalmente, as publicações de negócios tratam o envolvimento da família
com a empresa como informação anedótica pitoresca e interessante, mas
raramente importante.
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*Consultor especializado em empresas familiares. Sócio - diretor da DS
Consultoria Empresarial e Educacional. Graduado, mestre e PhD em
administração; professor de graduação e pós-graduação. Autor de livros
sobre os temas: empresa familiar e marketing de varejo.
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