PIB, inflação, juros, dívida pública

Comentários sobre o Boletim Focus: PIB, inflação, juros e dívida pública

01 OUT, 2018 / POR: CARLOS DIX SILVEIRA*

                                   

PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (24), reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2018 de 1,36% para 1,35%. A projeção de evolução do PIB em 2019 foi mantida em 2,50%.

Conforme divulgado segunda-feira (24) o Índice de Confiança do Consumidor, medido pela FGV, recuou 1,7 ponto de agosto para setembro, somando 82,1 pontos, em uma escala de zero a 200 e retorna à pontuação de junho último com a queda de confiança provocada pela greve dos caminhoneiros. O Índice de Expectativas caiu 3,3 pontos, chegando ao menor nível (89,7) desde fevereiro de 2017 (89 pontos). O Índice que mede o otimismo em relação ao andamento da economia diminuiu 3,4 pontos, passando de 103,4 em agosto, para 100 pontos neste mês, nível equivalente ao de maio de 2016. O desempenho destes indicadores reflete a situação de crise financeira dos consumidores, o baixo consumo e o alto nível de desemprego, herança da gestão calamitosa dos últimos governos que um considerável número de brasileiros desinformados almeja seu retorno. Movimentos como este afetam a confiança dos investidores, retrai a ação dos empreendedores e paralisa os meios de produção. A falta de confiança é o fator negativo mais importante neste período eleitoral.


Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2018 de 4,09% para 4,28% e a de 2019 de 4,11% para 4,18%. Para atingir a taxa projetada pela pesquisa de 4,28% é necessário que no período setembro/dezembro a taxa média mensal não supere 0,345%.

O IBGE divulgou dia 21, sexta-feira, o IPCA-15 de setembro de 0,09%, ante 0,13 em agosto, menor taxa verificada para o mês desde 2006 e a menor taxa mensal deste ano. A taxa acumulada do ano atingiu 3,23% e nos últimos doze meses, 4,28%, inferior ao centro da meta de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A queda do preço dos alimentos foi determinante para a redução do IPCA-15 que compensaram parte da alta do preço da energia que nos últimos doze meses tiveram aumento da ordem de 19,1%.

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, por sua vez, elevou a projeção do IPC de 0,28% para 0,31%, tendo em vista a tendência de alta do dólar e seu efeito negativo no preço de produtos e insumos de variados setores da economia (trigo, farinhas, massas, óleos e derivados de petróleo, entre outros). A instituição deve alterar sua previsão para o IPC deste ano de 3,25%.

A ata da última reunião do Copom publicada terça-feira (25) registra que Comitê alterou a projeção do IPCA deste ano para 4,4% e o de 2019 de 4,5%, ante as projeções da reunião de agosto que eram, respectivamente, de 4,2% e de 4,1%.


Juros

A pesquisa Focus manteve inalteradas as projeções da taxa de juros no fim dos anos 2018 e 2019 em respectivamente, 6,50% e 8,0%.

O Copom em sua última reunião antes da eleição decidiu quarta-feira (19), manter a taxa Selic em 6,5%, pela quarta vez seguida no nível mais baixo desde 1996. O mercado monitora o comportamento da inflação e do câmbio em razão das incerteza do cenário eleitoral.


Dívida Pública

A pesquisa manteve a expectativa da dívida líquida de 2018 em 54,20% e alterou a de 2019 de 57,75% para 57,90% do PIB. A dívida líquida do setor público corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Boletim Focus (original)

*Economista