01
de
Julho de 2009 Por Samara Miyagi*
O mercado interno de construção civil sentiu de maneira imediata os efeitos da crise financeira mundial iniciada no último trimestre de 2008.
A situação foi ainda mais grave tendo em vista os resultados bastante aquecidos que vinham sendo registrados nos últimos anos. Outro ponto
que deve ser destacado é que o mercado de construção é um dos maiores demandantes de mão-de-obra, de modo que uma menor atividade,
traz reflexos também para o nível de emprego do País.
A conjuntura macroeconômica do País continua instável, contudo, o governo tem intensificado os esforços para aquecer a economia nacional
e recuperar os índices de crescimento registrados anteriormente. Um dos principais movimentos para ajudar o mercado interno foi a redução
em 1 ponto percentual na taxa Selic, anunciada na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizada em
junho/09. O reflexo mais representativo da queda da Selic é a conseqüente redução de outras taxas, como as utilizadas no crédito
imobiliário oferecido pelos bancos públicos e privados que operam no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Além disso, pode estimular
a entrada de um montante maior de capital estrangeiro no País, de modo a beneficiar a movimentação financeira no Brasil. Atualmente,
a Selic está fixada em 9,25% anuais.
Com o lançamento dessas medidas com destaque para a de incentivo ao crédito habitacional, redução na taxa de juros e de impostos para
diversos insumos utilizados para a construção civil e financiamentos atraentes para a população de menor renda, a tendência é de que neste
segundo semestre de 2009 este mercado comece a apresentar resultados mais favoráveis, porém ainda aquém dos registrados nos 2 anos anteriores.
No caso dos programas de habitação popular, a medida além de possibilitar que as famílias de menor poder aquisitivo adquiram seu imóvel próprio, também tem beneficiado as construtoras a amenizarem os resultados negativos apurados nestes primeiros meses do ano, ainda refletindo a crise econômica.
Vale frisar que o sucesso do programa de construção de casas populares tem atraído muitas construtoras de grande porte, que antes tinham
como foco apenas o mercado de empreendimentos de alto padrão. Da mesma forma, tem ajudado a expandir os negócios de muitas empresas de
menor porte do setor que não eram muito conhecidas no mercado e que já atuavam com esse segmento, como é o caso das paulistas Cury e
Patrimônio, da mineira Direcional e da carioca Mudar.
Como as iniciativas públicas de incentivo ao setor da construção ainda podem ser consideradas recentes e tendo em vista que ainda
existe muita insegurança por parte da população em relação a investimentos de longo prazo devido ao cenário econômico conturbado,
pode-se inferir que os resultados mais expressivos para as construtoras devem ser sentidos a partir do início de 2010.
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