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China não é a "galinha dos ovos de ouro"
por Alexsandro Agostini*
14 de junho 2004

No dia 22 de maio, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desembarcou em Pequim, capital da China, com o objetivo de ampliar as parcerias comerciais atualmente existentes. De certa forma pode-se afirmar que essa foi a viagem mais produtiva feita pelo presidente, pois trouxe em sua bagagem diversos contratos e negociações que visam investimentos em infra-estrutura de transportes, como é o caso das perspectivas de investimentos no porto de Paranaguá, no Paraná.

A China é atualmente o país que mais cresce no mundo. Sua taxa de crescimento em 2003 foi de 9,1% e no primeiro trimestre de 2004 a taxa de crescimento subiu para 9,8%. Como desde 2003 a atividade econômica brasileira tem sido pautada em setores voltados primordialmente para o exterior e sendo a China um mercado consumidor de 1,3 bilhão de pessoas, a viagem do presidente Lula torna-se importante para ampliar a porcentagem que a China representa em nossas exportações. Em 2003, a China ficou em 3º lugar entre os principais países de destinos das exportações brasileiras, mas sua representatividade ainda é pequena, de apenas 6,2% do total.

Ainda que a China seja um mercado consumidor de grandes dimensões, a parcela dessa demanda atendida pelo Brasil fica restrita a produtos básicos. Mesmo que em alguns setores o casamento seja perfeito - como é o caso da soja e do minério de ferro, pois, o Brasil é o maior exportador mundial de soja e o principal produtor de minério de ferro, produtos com elevado grau de demanda na China, o efeito poderia ser maximizado. Isso porque, o impacto dos produtos básicos na pauta de exportações é secundário, pois o que faz diferença de fato são os produtos manufaturados - que representam pouco mais de 50% do total enquanto os produtos básicos chegam perto dos 30%.

O comércio bilateral de produtos manufaturados entre as duas economias não deve ganhar fôlego simplesmente com a viagem do presidente Lula, pois, a produção de manufaturados na China é feita a um custo muito menor que produtos similares feitos no Brasil, fato esse que reduz de forma abrupta nossa competitividade nesse segmento. Portanto, os Estados Unidos, que são responsáveis por quase um quarto de nossas exportações, continuarão sendo o principal mercado de destino dos produtos manufaturados brasileiros.

Dessa forma, o Brasil deve concentrar suas relações com a China no campo dos produtos básicos, afinal são mais de 1 bilhão de pessoas que precisam comer, visto que a renda média na economia chinesa é de apenas US$ 235 dólares (menor que no Brasil US$ 300) o consumo da população chinesa fica restrito apenas aos produtos básicos, segmento que vem em franco crescimento no Brasil nos últimos anos, tanto na agricultura como na pecuária. Enfim, mesmo que a aproximação com a China seja muito positiva, ela é limitada e não se deve achar que a China é "a galinha dos ovos de ouro".



(*)Alexsandro Agostini Barbosa é economista da Global Invest.


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