Taxa cortada

Saiba o que bancos e corretoras ganham ao zerar taxas

31 OUT, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Nos últimos meses, diversos bancos e corretoras passaram a anunciar o que, para alguns clientes, soa como música: taxa zero para algumas aplicações em renda fixa e variável. A onda começou com isenção para aplicações em Títulos do Tesouro e se estendeu mais recentemente para a corretagem envolvendo ações.

A Toro Investimentos, por exemplo, isentou de taxa aplicações na [B]³ que tenham prejuízo. A receita vem quando o cliente tem lucro ao utilizar o "investimento em um clique"; nesse caso, a taxa é de 10% do lucro obtido com a recomendação, que é gratuita.

A Clear anunciou em setembro taxa zero para aplicações em todos os ativos de renda variável. A empresa, que pertence ao Grupo XP, já havia eliminado a taxa de custódia. O objetivo é expandir o interesse de investidores que já operam ações e futuros para outros produtos.

"Mais do que fortalecer a relação com nossos clientes, a Clear pretende garantir a melhor opção de renda variável tanto para iniciantes quanto para os traders", explicou Raony Rossetti, sócio e Head de Renda Variável do Grupo XP.

Grandes bancos também entraram na dança. A Caixa Econômica Federal anunciou no último dia 19 a isenção da taxa de custódia para Tesouro Direto. Anteriormente, era de 0,4% ao ano. O vice-presidente de Finanças e Controladoria do banco, Arno Meyer, disse que o objetivo é manter uma cesta de produtos e serviços competitivos. Santander e Banco do Brasil já haviam zerado as taxas, sendo que o BB ampliou o incentivo à renda fixa e previdência privada.

Tão bem recebida, a iniciativa é também curiosa: o que ganham com isso as instituições, e de quais outras formas obtém receita? As corretoras simplesmente decidiram torrar dinheiro em nome do marketing ou sabem exatamente como tapar este buraco?

De onde vem o dinheiro
"A taxa zero não é nenhum absurdo. As corretoras continuam ganhando dinheiro por meio da comissão paga pelas instituições financeiras nos produtos de renda fixa, seja por uma fatia do percentual de 0,30% da [B]³, seja por meio dos floats, seja pela multa por saldo devedor", explica o educador financeiro Quintiliano Campomori, especializado em Negócios e Finanças.

A multa por saldo devedor é o juro cobrado pelas corretoras quando o cliente fica com saldo negativo na instituição, que podem chegar a 0,3% ao dia. É como um "empréstimo de urgência" que ocorre quando o investidor não consegue honrar o valor total investido. É mais comum em corretoras que permitem um alto grau de alavancagem.

Outra forma de remuneração das corretoras "low-cost" é na mensalidade paga pelo uso da plataforma de uma terceira instituição. Nesse caso, a corretora pode ficar com uma fatia da mensalidade paga pelo cliente, que chega a R$ 200 por mês em alguns casos. Outra forma comum de remuneração, conforme os especialistas, é o floating gerado pelo dinheiro parado na conta. Ou seja, quando o investidor não está com o dinheiro aplicado, as corretoras se aproveitam disso para ganhar o rendimento daquele recurso para si própria.