29/11/2010

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Cenário de 2011 torna referenciados em DI e alocados em crédito privado opções atrativas


O ano de 2011 deve ser bem diferente para os investidores de fundos de renda fixa. Pelo menos nos primeiros trimestres, os referenciados em DI (os juros interbancários) devem trazer maior rentabilidade para o investidor mais conservador, assim como menor volatilidade, diferentemente do que ocorre em 2010. O que muda é a possibilidade de continuidade do aumento da taxa básica de juros (Selic) e de uma pressão inflacionária mais forte.

O balanço do mercado de fundos é positivo neste ano. Até o mês de outubro, o patrimônio líquido de toda a indústria cresceu 11%. Os aportes aos fundos que pagam taxas pré-fixadas e aos indexados a preços foram os que mais aumentaram entre aqueles de renda fixa, assim como seu retorno. Mas daqui para frente, o cenário pode ser diferente, alerta o diretor de Administração de Recursos de Terceiros do Banrisul, Paulo Franz:

“A pressão inflacionária é maior, porém existem incertezas como ela será tratada pelo próximo Governo. Se ele vai apertar os gastos ou elevar os juros, o que é mais provável”. Diante disso, os pré-fixados e os fundos que pagam cupom de juros – indexados a preços – podem ter maior volatilidade, conclui Franz. Por isso, os referenciados em DI devem ter uma atração maior – num prazo mais curto, durante o primeiro semestre, até que o cenário fique mais claro e o mercado saiba como se darão o controle da inflação e a trajetória de subida dos juros.

Para a gerente nacional de desenvolvimento de produtos para ativos da CAIXA, Eliana Motta Vincensi, diante destes fatores, os fundos de renda fixa formados por cotas de crédito privado e de títulos públicos, especialmente os indexados ao IPCA, também serão mais atrativos. No médio e longo prazo, Vincensi explica que os fundos DI, por terem menos volatilidade, apresentam um risco inferior ao demais produtos de renda fixa, e oferecem uma rentabilidade adequada para aquele investidor mais conservador.

Diante do cenário contrastante dos dois anos – o que se encerra e o que inicia – seria interessante que o investidor fosse balanceando parte do seu portfólio aplicado em renda fixa. Conforme Franz do Banrisul, a definição pela alocação depende do perfil do investidor, mas para os mais conservadores, os DI são a melhor opção, já que são defensivos quanto à perspectiva de aumento de juros. No entanto, vale sempre ressaltar que a oportunidade de ganho depende da volatilidade dessas taxas.

Para o médio e longo prazo, Franz considera o cenário de manutenção dos pilares da política economia brasileira – cambio flutuante, inflação dentro da meta e superávit primário alcançado. Por isso, deve haver uma redução dos juros nominal e real. Diante disso, os fundos de renda fixa alocados em crédito privado ficam cada vez mais interessantes, segundo o diretor do Banrisul. A opinião é dividida com a gerente da CAIXA, que observa que esses produtos ficam ainda mais atrativos em prazos superiores a dois anos, já que a alíquota do Imposto de Renda que incide sobre eles cai para 15% do rendimento obtido.
 

Rentabilidade dos Fundos de Renda Fixa

Fundos

Variação 2010 %

Variação 12 meses %

Referenciados DI

8,53

14,39

Referenciados outros

12,76

14,39

Renda Fixa

10,00

11,14

Renda Fixa Médio/Alto risco

9,28

10,51

Fonte: Anbima consolidado até 8/11/10.
                              

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 


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