Bolsa derrete

Como o investidor deve proceder em meio a este clima de tensão na Bolsa?

29 MAI, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Quem estava relativamente sossegado com suas aplicações na Bolsa de Valores de São Paulo desde o ano passado, quando o mercado acionário brasileiro voltou a manter sequência de valorização, tomou um susto nos últimos nove dias. Desde que iniciou a greve dos caminhoneiros, o índice Ibovespa caiu 10,25%, dos 83.082 para 75.356 pontos, eliminando todo ganho em 2018 e alcançando a menor cotação no ano.

Conforme a Rico Investimentos, em maio, o saldo acumulado no pregão paulista está negativo em R$ 5,487 bilhões. Com isso, o saldo de capital estrangeiro na B3 em 2018 virou e está com perda de R$ 1,065 bilhão. O movimento começou a ser puxado pelos grandes investidores. Na segunda-feira, investidores institucionais nacionais desfizeram parte de suas posições. Não à toa, o Ibovespa caiu cerca de 4,5% neste dia.

Trata-se de uma resposta do mercado à perspectiva de redução na atividade econômica do país e da queda na receita de boa parte das empresas de capital aberto, em particular grandes redes de varejo, que tendem a continuar perdendo clientes enquanto a crise permanece. A B2W teve a ação derrubada de R$ 27,30 para R$ 23,24 nos últimos cinco dias. No mesmo período, as ações da Via Varejo caíram de R$ 25,10 para R$ 22,29.

Grandes indústrias também estão freando a produção: na segunda-feira, a fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo e a Suzano Papel e Celulose anunciaram paralisação das atividades devido à greve dos caminhoneiros. Respectivamente, as ações das companhias caíram, em cinco dias, de R$ 4 para R$ 3,34, e de R$ 43,80 para R$ 43. Segundo estimativas de economistas, em oito dias de greve, perdas para a economia já haviam superado R$34 bilhões em razão da greve.

Uma empresa, em particular, derrete com mais força: a Petrobras. Principal alvo da manifestação dos caminhoneiros, o preço dos combustíveis será mudado por ordem do governo Federal, e a empresa concordou em reduzir o valor do óleo diesel pelos próximos dois meses. Ou seja, a estatal, cuja ação desabou 14% na segunda-feira (29), será penalizada mais uma vez.

"Ainda que a vigência da política de preços seja confirmada pelo governo e pela empresa, as incertezas quanto ao impacto das medidas nos resultados da Petrobras permanecem e devem continuar a pressionando a ação", avalia Roberto Indech, analista da Rico Investimentos.

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, aponta que, ainda que seja a política preferida pelo mercado, os reajustes diários da Petrobras seguindo a variação internacional do petróleo e do dólar tem dado mostras de que é inviável para boa parte dos clientes do monopólio.

"As ações da Petrobras devem ter novos pregões de queda, como resultado do aumento da percepção dos riscos em relação ao Brasil, da queda dos preços internacionais do petróleo e, não menos importante, pelo aumento da incerteza quanto à manutenção da atual política de preços para os combustíveis", diz Silveira.

Além disso, o mercado pode considerar o horizonte eleitoral na manutenção de Pedro Parente na direção da empresa.

Como o investidor deve proceder em meio a este clima de tensão na Bolsa? Daniela Casabona, Assessora de Investimentos da FB Wealth, empresa especializada em planejamento patrimonial, afirma que não adianta o investidor se assustar e sair vendendo seus papéis. Prova disso é que nesta terça-feira a Bolsa já virou, e passou a valorizar. Em sua análise, a aplicação deve focar no longo prazo, e a estratégia não deve ser mudada do dia para a noite sem o devido planejamento.

"A regra mais básica da economia é comprar na baixar e vender na alta, mas não é isso que ocorre. Comprar ações aleatoriamente, sem embasamento nenhum, é perder dinheiro. É necessário ter planejamento a médio e longo prazos para rentabilizar de forma correta", afirma.