Gráfico subindo

Lula fora da disputa: O que esperar da Bolsa para os próximos meses

29 JAN, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A condenação do ex-presidente Lula em segunda instância na semana passada, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), praticamente ceifou o petista – que vinha figurando como líder nas pesquisas de intenção de votos – de concorrer à presidência da república neste ano. O mercado avalia que o placar por 3 a 0 eliminou as possibilidades de Lula ir às urnas em razão da Lei da Ficha Limpa e à menor margem para recursos e embargos. E o mercado, que não simpatiza com a ideia de Lula presidente, já reagiu: a bolsa foi a índices recordes e o dólar caiu com força. E isso é só o começo.

"O mercado já está considerando Lula fora da disputa da presidência. Com isso, enfraqueceu-se toda a esquerda, sem candidatos com alto potencial de votos, e se fortalecem partidos de centro, que apoiam reformas como a da Previdência", avalia Guilherme Ribeiro de Macêdo, professor de Economia da UFRGS e Analista de Investimentos.

O primeiro resultado da bolsa após a derrota de Lula aponta justamente nesta direção. No mesmo dia da condenação, as estatais dispararam na Bolsa de Valores de São Paulo. As ações preferenciais da Eletrobras subiram 9,7%, enquanto os papéis da Petrobras com direito a voto saltaram 8,4%; as ações do Banco do Brasil também foram beneficiadas pelo ânimo do mercado, e avançaram 7,9%. Na última sexta-feira, no segundo dia de pregão após a condenação, o Ibovespa voltou a subir com força, passando dos 85 mil pontos.

Conforme Rilton Brum, sócio-diretor da Elite Corretora de Valores, além da Bolsa, outros sinais de otimismo nos mercados se revelaram após a condenação de Lula: o dólar flertando na casa de R$ 3,10 e o CDS Brasileiro (indicador de risco de crédito) na mínima desde 2014. "Cada vez mais os mercados locais e internacionais contam Lula como carta fora do baralho", reforça Rilton.

Um cenário de otimismo e baixa volatilidade deve prevalecer na bolsa pelo menos até julho, quando se desenhará de maneira mais clara os postulantes ao Palácio do Planalto. Entre os analistas, há quem considere que mesmo Jair Bolsonaro, que não desperta simpatia do mercado, tende a cair nas pesquisas com a saída de Lula do páreo. A lógica é que, sem o ícone da Esquerda, perderá força nas urnas o seu antagonista da Direita, e poderão avançar na campanha as discussões sobre reformas.

"O risco eleitoral no que se refere ao Lula é que a Justiça Eleitoral libere a candidatura, colocando em xeque a Lei da Ficha Limpa e gerando mais pessimismo com a política do país. Mas esse é um cenário muito improvável", avalia Macêdo. Na avaliação de Rilton, a saída de Lula do páreo é uma locomotiva a mais para puxar a bolsa neste ano. "As máximas históricas nos índices americanos e a esperança da aprovação da reforma da previdência já fizeram o Ibovespa ultrapassar 85 mil pontos, em nova máxima histórica. Com a redução da Selic, reaquecimento da economia e boas expectativas para os mercados internacionais, a bolsa deve ser o melhor investimento do ano", projeta.

São justamente as ações de empresas controladas pelo governo que mais tendem a subir na bolsa nos próximos meses, avalia Guilherme, com menor receio de que um eventual governo de esquerda possa as utilizar como braço político. Outras empresas que dependem da manutenção da economia no atual rumo também tendem a se valorizar, como as construtoras (beneficiadas com as baixas taxas de juros, que se refletem no crédito mais barato para compra de imóveis) e as redes de varejo, que se beneficiam com a volta do investimento produtivo e da geração de emprego e renda.