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Hora de voltar a olhar a poupança com carinho

28 MAR, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

A persistência dos cortes na Taxa Básica de Juros (Selic) pelo Banco Central, reduzindo também a rentabilidade da Renda Fixa, fazem da Caderneta de Poupança - a "Geni" dos investimentos nos últimos anos, tempos de inflação alta e Selic maior ainda - uma opção a ser levada em conta para 2017, apontam consultores financeiros. Desde setembro de 2016, a Selic caiu de 14,25% para 12,25% ao ano, e a última edição do Boletim Focus mostra que o mercado prevê o Juro Básico em 9% ao final deste ano.

Isso significa que o DI, atrelado à Selic e que baliza todo investimento na renda fixa, perdeu dois pontos percentuais em praticamente meio ano, e poderá desinflar mais 3,25 pontos até dezembro. "Se a queda continuar ocorrendo, a poupança poderá voltar a ser atraente ao investidor, em razão da isenção do imposto de renda e a remuneração fixa: não varia com a Selic, ao menos que esta caia para igual ou menos de 8,5%, quando há mudança nas regras", afirma William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV-SP.

A poupança paga 0,5% ao mês, mais Taxa de Referência (TR). No ano passado, ela rendeu 8,3%, superando a inflação (6,29%). Em uma análise aproximada, Eid explica que o DI atual de 12,25% representa um rendimento líquido anual de 10,4%, considerando a alíquota mais baixa do Imposto de Renda (15% para aplicações acima de 720 dias); supera, portanto, a poupança. Entretanto, se a Selic continuar caindo, a gangorra erguerá do lado da Caderneta. "Se a Selic realmente cair a 9,5% ou 9% ao ano, a Poupança passará a ser mais atraente", comenta Eid. Nesse caso, o DI líquido da renda fixa cairia para 8,07%.

Mais do que isso: investidores sem grandes volumes de dinheiro em geral não conseguem investimentos na renda fixa que o paguem 100% de DI - no CDB, por exemplo, investidores médios têm de se conformar com 90%, e nos fundos, as taxas de administração podem comer, em média, 1,5% do patrimônio. Ou seja, para esses, o ponto de mudança pode vir até antes, com a Selic a partir de 10% ou 10,5% ao ano. "Com a queda do juro, os CDBs e Fundos também precisarão ser competitivos para valer a pena, condição que costuma ser oferecida principalmente a investidores mais endinheirados", aponta Eid.

A Poupança, ao contrário, oferece remuneração igual para todos, desde baixos investidores até donos de grandes fortunas. Mayko França, especialista em finanças e autor do site Aprenda Investir Dinheiro, considera a segurança, a facilidade e a liquidez da poupança trunfos importantes para a Caderneta. "Despesas de última hora ou situações de emergência podem exigir desembolso de algum dinheiro. São para estas situações que deve-se ter o “colchão de segurança” que se propõe a ser a Poupança", afirma.

O alerta feito por Willian Eid para a restrição de rendimento da poupança quando a Selic chegar ou baixar de 8,5% - uma mudança durante o Governo Dilma para evitar uma migração massiva para esta aplicação - deve permanecer no radar dos investidores. Conforme a regulamentação, nestes casos a Caderneta passa a remunerar os novos depósitos em 70% da Selic, mais TR, o que representa um rendimento menor do que na regra em vigência.