- O mercado financeiro
brasileiro termina com viés positivo em 2010. A expectativa de incremento do
PIB de 7,5% neste ano, apurada pela Febraban¹, de 10% nas vendas do varejo e
de 9,2% da renda real até o final do mês de novembro, descontada a
inflação², somadas ao crescimento de 42% do lucro líquido e 36% da geração
de caixa, medida pelo Ebitda, das empresas listadas no Ibovespa ³ (em
relação ao mesmo período do ano passado) justificam a avaliação, mesmo
diante da queda de 1,3% do Ibovespa até final de novembro, quando o índice
alcançou os 67.705 pontos.
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Na visão do diretor de economia e riscos da Sicredi Asset Management, Paulo
Barcellos, entre os sinais positivos para o próximo ano estão as medidas
adotadas pelo Banco Central (BC) para conter a emissão de crédito e a
liquidez no mercado brasileiro, como o aumento do recolhimento compulsório
pelos bancos, além da expectativa de subida da taxa básica de juros (Selic)
ao longo de 2011. A projeção do Sicredi é que a Selic chegue aos 12,75% ao
final do ano, um pouco acima da perspectiva da Febraban de 12,25%. Para o
Sicredi, a Selic poderá ser elevada já na próxima reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom), que acontece no dia 19 de janeiro, em 0,5%,
deixando o patamar de 10,75%.
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Ao contrário da premissa “aumento de juros, queda na bolsa”, a subida da
Selic deve beneficiar empresas voltadas à economia doméstica, acredita o
diretor do Sicredi. “Esses papéis já estão sofrendo com o efeito do
crescimento da inflação visto no decorrer de 2010”, justifica. A instituição
acredita que o IPCA vai fechar 2010 em 5,9%, bem próximo da banda máxima de
6,5% da política de metas inflacionárias. A Pesquisa da Febraban revela uma
perspectiva de 5,2% em 2010 para o índice que mede a subida dos preços, e de
4,9% em 2011.
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Apesar do quadro inflacionário, as empresas voltadas ao consumo interno
foram as que mais valorizaram na BM&FBOVESPA em 2010. A taxa média de
variação do Índice de Consumo (ICON) foi de 21,3% até novembro de 2010 em
relação a 2009. A continuidade do bom desempenho desse mercado, das empresas
voltadas a ele e de suas respectivas ações listadas no mercado de capitais
sinalizam uma trajetória crescente também para a bolsa brasileira em 2011,
na concepção do Sicredi. Conforme cálculos da instituição, a valorização do
Ibovespa deve ficar entre 15% e 20% ao longo do ano de 2011. Isso significa,
em relação ao fechamento de novembro, que o índice poderia alcançar os
77.860 pontos ou os 81.246 pontos.
A projeção da Corretora Ágora é mais otimista. Conforme a analista Cristiane
Viana, o índice tem potencial para os 86.000 pontos. A expectativa é
sustentada pelos mesmos indicadores internos que, de alguma forma,
beneficiam as ações listadas na bolsa brasileira. A corretora acredita que a
Selic não ultrapassará os 11% em 2011.
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Além disso, na concepção da corretora, os ativos brasileiros podem ser
considerados baratos na comparação com outros países emergentes. Segundo
cálculos da Ágora, o múltiplo de todas as empresas listas na BM&FBOVESPA,
representado pelo indicador Preço – Lucro (P/L), que considera em quanto
tempo é possível recuperar o investimento em ações, é de 12,6 vezes,
comparado à média 15,2 vezes de outros países. No entanto, conforme
Cristiane Viana, não há motivos para que as empresas brasileiras tenham este
desconto, especialmente depois dos lucros divulgados no terceiro trimestre e
da expectativa de crescimento de 29% dos lucros no ano de 2011 (em relação a
2010).
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Na avaliação do Sicredi, a bolsa brasileira não está tão barata assim. No
entanto, a expectativa de ganhos crescente ao longo de 2011 deve reduzir
ainda mais o seu P/L. Conforme o diretor de recursos de terceiros, Júlio
Cardozo, o P/L potencial para o próximo ano está entre 9,9 vezes e 9,1vezes.
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O desempenho positivo esperado é fortalecido por um cenário político interno
mais conhecido, considerando os sinais dados pela presidente eleita de
continuidade das políticas econômicas. Da mesma forma como o cenário
internacional, mesmo que ainda sem saída anunciadas para a crise dos países
europeus, já tem causas e efeitos conhecidos, diferentemente do que se tinha
no primeiro semestre de 2010.
Justificativas baixistas
A análise feita pelo sócio fundador da Leandro&Stormer, Alexandre
Wolwacz, é contrária e baseada em indicadores gráficos. Conforme
sinalizações de análises técnicas, o Ibovespa tem forte perspectiva baixista
para 2011. “O cenário menos pessimista é que o índice poderia chegar aos 59
mil pontos no final do ano que vem e a 52 mil pontos em 2012”, detalha
Wolwacz. Segundo o analista gráfico, a projeção é fortalecida pelo ciclo
decenal do Ibovespa, que usualmente marca “topos” nos anos com final zero,
seguido de baixas nos anos de final 01 e 02. E quando alcança o fundo
máximo, que seria em dois anos, ele começaria a trajetória de alta.
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O sócio da Leandro&Stormer lembra que a análise gráfica não considera
indicadores macroeconômicos, nem micro, e que análises de longo prazo são
mais complicadas, porque podem ser afetadas por mudanças no meio do caminho.
E acredita que o que poderia invalidar a análise anterior seria se o
Ibovespa ultrapassasse o topo dos 74 mil pontos ainda no curtíssimo prazo.
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“Vale lembrar ainda que no longo prazo, alguns ativos têm força para
persistir numa posição altista – como vimos nos anos de 2000 e 2002, quando
o mercado caiu”, alerta o analista. Conforme indicadores gráficos, os papéis
que tendem a manter uma direção altista são os exportadores e os que
persistem pagando bons dividendos.
Para saber quais setores se destacarão em 2011 leia a matéria publicada no
www.acionista.com.br
na editoria de Setor&Cias.
¹A pesquisa mais recente da
Federação Brasileira de Bancos (Febraban) foi divulgada ao mercado no dia
21.12.2010.
²Dados divulgados pelo Sicredi em palestra realizada em Porto
Alegre (RS) no dia 15.12.
³Cálculos da Corretora Ágora.