Pensamentos para a economia brasileira

Salto no PIB e alta nos juros: As apostas para a economia brasileira em 2018

26 DEZ, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

O próximo ano terá indicadores econômicos bem diferentes dos que foram registrados em 2017 no Brasil, projetam especialistas. O Produto Interno Bruto (PIB), que deve subir menos de 1% neste ano, poderá pular para 3% em 2018 — fruto da baixa base de comparação, é verdade, mas também em razão da gradativa retomada do emprego e do crédito, que estimulam o consumo. Já a inflação e os juros, que desabaram ao longo dos últimos meses, poderão subir, para a decepção dos que sonham com um aquecimento econômico mais duradouro.

Economistas apontam que o crescimento econômico no ano que vem será puxado essencialmente pelo consumo. O poder de compra das famílias foi aumentado em 2017 pela dinâmica da inflação e dos juros, explica o economista Marcelo Portugal, da Fecomércio-RS. Além disso, ainda que timidamente, o mercado de trabalho dá sinais de melhora, o que ajuda a reforçar a confiança e o retorno ao consumo. A indústria, por outro lado, ainda está a alguma distância da luz no fim do túnel, em razão de elevada capacidade ociosa e das incertezas políticas, que inibem investimentos.

Conforme projeções da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), apesar de haver sinais de mudança, a melhora ainda não chegou com intensidade na indústria, que sofre com baixo desempenho na área da Construção e a lenta recuperação das linhas de fábrica. "Começamos a recuperar aos poucos, mas o caminho será longo", afirma o economista-chefe da Fiergs, André Francisco Nunes de Nunes, ao destacar que uma recuperação cíclica está em curso. "O PIB de 2014 só deverá ser retomado em 2020, e o da indústria, em 2021, ainda deve ser inferior ao pico de 2013". A entidade trabalha com projeção de alta de PIB para o país entre 2,7% e 3,2% em 2018.

O ano eleitoral poderá atingir em cheio a economia, é claro. O economista da Fecomércio-RS afirma que incertezas trazidas por candidatos como Lula e Bolsonaro poderão afugentar investidores, elevando o valor do dólar. Com isso, a pressão inflacionária poderá voltar e forçar o Banco Central a elevar as taxas de juros. "Também deve haver uma pressão dos preços dos alimentos, diferente da deflação que ocorreu em 2017, dando um peso importante sobre o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor, o indicador oficial da inflação do governo) em 2018", explica Marcelo Portugal. Desta forma, apesar de ter fechado em 7% ao ano – a menor taxa de juros da série histórica do BC – a Selic poderá subir até os 8% em dezembro de 2018, projeta o economista.

Setor que puxa a recuperação da economia em 2017, o agronegócio poderá ser beneficiado pela produtividade, o câmbio e os preços internacionais, aponta o Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). O país poderá repetir os bons índices de exportação registrados nas safras de 2016/2017 e 2015/2016. No mercado interno, o setor de alimentos estará entre os mais beneficiados pela recuperação do poder de compra da população, projeta a entidade. "Apesar do risco climático inerente ao setor, projetamos uma menor volatilidade externa nos mercados agrícolas, após uma estabilização dos preços das commodities em geral. No mercado interno, apesar do risco político, trabalhamos com o cenário de retomada do crescimento econômico", observa o gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa.