Urna eletrônica

Como proteger seu dinheiro na reta final das eleições

25 SET, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Faltando menos de duas semanas para a votação do primeiro turno das eleições, especialistas preveem volatilidade intensa na bolsa de valores e no câmbio. Até a renda fixa tem sido afetada pela inversão ou confirmação de expectativas a cada nova pesquisa eleitoral: previsão da inflação, de Taxa Básica de Juros (Selic) e do DI futuro influenciam diretamente a rentabilidade de alguns fundos e títulos públicos.

"Ainda restam 12 dias para o 1° turno das eleições, e muita volatilidade está por vir" disse na terça-feira (25) Roberto Indech, analista da Rico Investimentos.
"O mercado deve continuar reagindo às novas pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais", prevê o especialista.

Conforme parte dos analistas financeiros, a permanência de Jair Bolsonaro (PSL) no topo de diferentes pesquisas de intenção de voto traz o receio de uma agenda econômica ainda nebulosa, sem propostas claras e nem grandes alianças que ajudariam suas ideias a progredirem. Com o avanço de Fernando Haddad (PT), também há receio quanto ao futuro de reformas como a da previdência.

Nesta terça-feira, após divulgação de nova pesquisa pelo Ibope, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu em uma queda de 0,5% — no dia anterior, já havia caído 1,84%. O levantamento mostrou Bolsonaro com 28% das intenções de voto, ante 22% de Haddad, 11% de Ciro Gomes (PDT) e 8% de Geraldo Alckmin (PSDB). Foram entrevistados 2.506 eleitores em 178 municípios nos dias 22 e 23 de setembro, e o a margem de erro foi de 2 pontos, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE como BR-06630/2018 e foi contratada por TV Globo e O Estado de S.Paulo.

Muito da instabilidade do mercado se dá pelos movimentos de investidores estrangeiros, afirma o diretor do Paraná Banco, André Luiz Malucelli. Eles permanecem atentos às pesquisas e ao noticiário político em busca de indicativos para o futuro do país.

"Pela falta da definição do direcionamento político, o risco é maior. Por isso cabe ao investidor, especialmente neste momento, diversificar seus investimentos de acordo com o seu perfil, seja ele conservador ou arrojado, priorizando a estabilidade da renda fixa", avalia Malucelli.

Ele explica que a renda fixa traz maior confiabilidade, por isso merece uma atenção especial neste período.

"Para quem não tolera expor seu dinheiro a riscos, o mercado de ações não é o mais indicado neste momento, e mesmo para quem tolera, é importante diversificar", reforça Malucelli.

Apenas a poupança e os investimentos pós-fixados, como os títulos do tipo Tesouro Selic e os fundos DI, estão imunes aos altos e baixos do mercado financeiro no período eleitoral. Alguns investimentos de renda fixa, como os títulos prefixados do Tesouro Direto, podem continuar afetados pelo nervosismo dos investidores por causa dos ajustes de preços às expectativas futuras de juros (movimento chamado de marcação a mercado).