Tesouro Direto

Confira como escolher o melhor título do Tesouro para seu perfil

25 SET, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                          

Os títulos do Tesouro se tornaram uma das aplicações que mais atraem a atenção dos brasileiros nos últimos anos. Em 2016, as alocações em títulos públicos, por meio do Tesouro Direto, cresceram 81,1%. E não é por acaso: com a redução gradativa da taxa Selic, a busca por opções que remunerem acima da inflação e dispensem altas taxas de administração ficou mais intensa. Ao mesmo tempo, quem só conhecia a Caderneta de Poupança como alternativa para baixas aplicações passou a ser municiado com matérias jornalísticas e campanhas encampadas pelas próprias corretoras alertando para as vantagens do Tesouro.

"Os títulos do tesouro crescem por que são rentáveis, dada a necessidade crescente de financiamento do governo, e também seguros, pois são garantidos pelo Tesouro Nacional", explica Milton Galvão, professor do curso de Administração da FMU, integrante da rede internacional de universidades Laureate. "Além disso, são líquidos, pois o Tesouro garante a sua recompra diária e também acessíveis ao pequeno investidor, que a partir de R$ 30 pode iniciar a formação do seu patrimônio", enumera.

Neste contexto, descobrir na sopa de letrinhas e símbolos qual a melhor opção no Tesouro é importante para avaliar rendimentos e prazos que combinem com os objetivos do investidor. Alguns títulos remuneram conforme a inflação oficial (pagando um bônus adicional se o investidor segurar os títulos até o vencimento); outros, pagam seguindo a variação futura da Taxa Básica de Juros; e há os que são balizados pela Selic atual. O consultor financeiro André Bona alerta que muitos investidores tomam más decisões ao fazer escolhas de modo aleatório, olhando apenas o ano de resgate ou as alíquotas de rentabilidade, sem entender como funcionam na prática.

Entenda abaixo os tipos de títulos do tesouro, e para quem são indicados.

Tesouro Prefixado (LTN)
A taxa de remuneração é definida no momento da aplicação, em geral atrelada à Taxa Básica de Juros (Selic) atual. Esses títulos são indicados para quem acredita que a taxa prefixada será maior que a Selic no futuro. O pagamento ocorre de uma só vez, ao vencimento. Caso necessite vender o título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado, de modo que a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço do título no momento da venda.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)
Também define um juro no momento do investimento, a diferença é que o rendimento é recebido pelo investidor ao longo do período da aplicação, com pagamentos semestrais. Por isso, é indicado a quem pretende embolsar algum lucro antes do momento do vencimento. No pagamento desses rendimentos semestrais, há incidência de Imposto de Renda (IR), obedecendo a tabela regressiva. Caso necessite vender o título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado.

Tesouro Selic (LFT)
Pós-fixado, indicado para quem acredita que a tendência da taxa Selic é de elevação ou de manutenção em patamar elevado, já que a rentabilidade é indexada à Taxa Básica de Juros futura. O valor de mercado desse título apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda antecipada. Por essa razão, é considerado um título indicado para um perfil de investidor mais conservador, menos afeito a riscos.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)
Proporciona rentabilidade real, ou seja, garante o aumento do poder de compra do dinheiro, pois o rendimento é composto por uma taxa de juros prefixada e a variação da inflação oficial (IPCA). É mais interessante para quem deseja utilizar o rendimento para complementar sua renda a partir do momento da aplicação, pois faz pagamento de juros a cada semestre (em que há incidência de IR por tabela regressiva). Caso necessite vender o título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado, tornando a rentabilidade maior ou menor do que a contratada na compra.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)
O rendimento também é composto por duas parcelas: uma taxa de juros prefixada e a variação do IPCA. A diferença é que não paga juros semestrais, mas sim os acumula até a data de vencimento. Dada essa característica, aliada ao fato de esse título possuir disponibilidades de vencimentos mais longos, é indicado para quem deseja poupar para a aposentadoria, compra de casa e estudo dos filhos, dentre outros objetivos de longo prazo. Possui fluxo de pagamento simples, isto é, se receberá o valor investido acrescido da rentabilidade na data de vencimento ou resgate do título.