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Graficamente, conforme o diretor da
Projeção.com Ricardo Borges, o efeito de políticas monetárias
expansionistas como a redução dos juros e do compulsório bancário (que
diminui o percentual de depósito obrigatório dos bancos e coloca mais
dinheiro no mercado) estimularam uma tendência de alta da Bovespa iniciada
em outubro de 2008, com poucos momentos de parada e sem correção
significativa. O diretor técnico e analista técnico da Leandro Stormer,
Alexandre Wolwacz, observa que o movimento da bolsa em 2009 foi similar ao
ano de 2003, quando em 2000 e 2001, o mercado caiu 60% - devido à crise
deflagrada com o estouro da bolha das empresas ponto.com nos EUA.
De acordo com Wolwacz, hoje a bolsa está testando um novo topo histórico,
na faixa de 74 mil pontos. “Com a alta de 140% do Ibovespa em 320 dias,
podemos dizer que o mercado está em estado supercomprado, já que gastou
boa parte da sua força compradora”. Por isso, o cenário mais provável,
para o analista, é que haja uma correção do Ibovespa por volta de 56 mil
pontos nos próximos meses. Ou seja, uma queda de 20% do patamar atual do
índice Bovespa.
Para Ricardo Borges, como estas políticas expansionistas estão sendo
questionadas, e a perspectiva é que ainda este semestre elas comecem a ser
revertidas através de medidas contracionistas - no Brasil e no mundo -,
ele acredita que o mercado acionário deverá antecipar isso e ter uma forte
correção. “O Ibovespa vem quebrando a linha de tendência de alta de médio
prazo. Este rompimento aumenta sensivelmente a probabilidade de uma forte
correção para as próximas semanas. Depois disso, o mercado deve se manter
em um movimento lateral durante alguns meses. E provavelmente no último
trimestre do ano, o processo de alta vai retomar”, explica Borges.
Como se posicionar no mercado de ações em 2010
O gestor da Fundamenta Administração de Recursos, Valter Bianchi Filho,
alerta para o risco inflacionário de 2010: “os EUA devem elevar os juros
para combater a alta dos preços. E essa expectativa gera turbulência nos
mercados, até haver um grau de certeza maior sobre as medidas
antiinflacionárias”. Para o gestor da Humaitá Investimentos, Frederico
Mesnik, nada disso muda os fundamentos e indicadores consistentes
brasileiros este ano, no entanto, torna o mercado financeiro mais volátil.
“O Brasil tem dois impulsionares: o consumo doméstico e a característica
exportadora”, justifica.
Esses fundamentos e a iminência do aumento dos juros no Brasil e no mundo
são dois aspectos importantes considerados na hora de investir em renda
variável. Segundo Bianchi, quem se posiciona para o longo prazo, não será
influenciado de maneira significativa por eventos da volatilidade e dos
juros de curto prazo. No entanto, quem está pesando em fazer despesas ao
longo deste ou do próximo ano, deve pensar em não se posicionar ou em
realizar as posições atuais. “Além disso, muito cuidado com setores que
são sensíveis aos juros, pois a taxa Selic deve ser elevada neste ano”.
Alguns desses mercados são o de construção civil, varejo e educação.
Papéis mais defensivos são os de energia elétrica – que pagam bons
dividendos -, de empresas de consumo que não dependem de crédito e cujos
produtos são de preços mais baixos, e dos bancos – que se beneficiam com a
alta dos juros.
Ricardo Borges acredita que se o cenário descrito por ele acontecer, o
melhor é não investir em ações no momento. “Mas se a ameaça das políticas
monetárias contracionistas não se concretizar, acredito que os setores de
construção e de bancos são os mais indicados para este ano”, detalha. O
analista explica que os bancos são sugeridos porque os empréstimos têm
subido fortemente, o risco de inadimplência tem caído, e isso deve afetar
positivamente o lucro das instituições. Além disso, graficamente, as ações
dos grandes bancos já romperam o topo feito em 2008 e estão em clara
tendência altista, de acordo com o analista.
O diretor da Leandro Stormer lembra que, se o investidor procura seguir a
média do mercado, ou seja, a carteira do Ibovespa, é necessário ter pelo
menos posições em Vale, Petrobras e BM&FBovespa, que vem ganhando cada vez
mais importância na carteira. Outras posições imprescindíveis para 2010
são no setor de construção, que através da análise dos gráficos, se
percebe claramente com uma tendência de alta. “Se para o investidor é
importante ganhar com dividendos, o setor elétrico deve compor a carteira
também”, lembra o analista. Entre a composição dos papéis, ele sugere não
só se posicionar em empresas blue chips, mais líquidas e maiores, mas
também em papéis que ele chama de minoritários ou small caps. No setor de
energia elétrica, dois exemplos seriam a Coelci 5 e a AESTiete.
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