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Perigo inflacionário e aumento dos juros sinalizam posições no mercado de ações


A alta de 80% da bolsa brasileira em 2009 acompanhou o processo de recuperação da economia nacional e mundial. Conforme observa o gestor da Fundamenta Administração de Recursos, Valter Bianchi Filho, boa parte dessa retomada resultou de indicadores positivos, influenciados por políticas governamentais. Uma das justificativas para a forte valorização dos ativos de economias como a brasileira foi o patamar a zero dos juros de países como os Estados Unidos, que motivaram o aumento do fluxo de recursos para taxa de juros maiores.


Graficamente, conforme o diretor da Projeção.com Ricardo Borges, o efeito de políticas monetárias expansionistas como a redução dos juros e do compulsório bancário (que diminui o percentual de depósito obrigatório dos bancos e coloca mais dinheiro no mercado) estimularam uma tendência de alta da Bovespa iniciada em outubro de 2008, com poucos momentos de parada e sem correção significativa. O diretor técnico e analista técnico da Leandro Stormer, Alexandre Wolwacz, observa que o movimento da bolsa em 2009 foi similar ao ano de 2003, quando em 2000 e 2001, o mercado caiu 60% - devido à crise deflagrada com o estouro da bolha das empresas ponto.com nos EUA.

De acordo com Wolwacz, hoje a bolsa está testando um novo topo histórico, na faixa de 74 mil pontos. “Com a alta de 140% do Ibovespa em 320 dias, podemos dizer que o mercado está em estado supercomprado, já que gastou boa parte da sua força compradora”. Por isso, o cenário mais provável, para o analista, é que haja uma correção do Ibovespa por volta de 56 mil pontos nos próximos meses. Ou seja, uma queda de 20% do patamar atual do índice Bovespa.

Para Ricardo Borges, como estas políticas expansionistas estão sendo questionadas, e a perspectiva é que ainda este semestre elas comecem a ser revertidas através de medidas contracionistas - no Brasil e no mundo -, ele acredita que o mercado acionário deverá antecipar isso e ter uma forte correção. “O Ibovespa vem quebrando a linha de tendência de alta de médio prazo. Este rompimento aumenta sensivelmente a probabilidade de uma forte correção para as próximas semanas. Depois disso, o mercado deve se manter em um movimento lateral durante alguns meses. E provavelmente no último trimestre do ano, o processo de alta vai retomar”, explica Borges.

Como se posicionar no mercado de ações em 2010
O gestor da Fundamenta Administração de Recursos, Valter Bianchi Filho, alerta para o risco inflacionário de 2010: “os EUA devem elevar os juros para combater a alta dos preços. E essa expectativa gera turbulência nos mercados, até haver um grau de certeza maior sobre as medidas antiinflacionárias”. Para o gestor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik, nada disso muda os fundamentos e indicadores consistentes brasileiros este ano, no entanto, torna o mercado financeiro mais volátil. “O Brasil tem dois impulsionares: o consumo doméstico e a característica exportadora”, justifica.

Esses fundamentos e a iminência do aumento dos juros no Brasil e no mundo são dois aspectos importantes considerados na hora de investir em renda variável. Segundo Bianchi, quem se posiciona para o longo prazo, não será influenciado de maneira significativa por eventos da volatilidade e dos juros de curto prazo. No entanto, quem está pesando em fazer despesas ao longo deste ou do próximo ano, deve pensar em não se posicionar ou em realizar as posições atuais. “Além disso, muito cuidado com setores que são sensíveis aos juros, pois a taxa Selic deve ser elevada neste ano”. Alguns desses mercados são o de construção civil, varejo e educação. Papéis mais defensivos são os de energia elétrica – que pagam bons dividendos -, de empresas de consumo que não dependem de crédito e cujos produtos são de preços mais baixos, e dos bancos – que se beneficiam com a alta dos juros.

Ricardo Borges acredita que se o cenário descrito por ele acontecer, o melhor é não investir em ações no momento. “Mas se a ameaça das políticas monetárias contracionistas não se concretizar, acredito que os setores de construção e de bancos são os mais indicados para este ano”, detalha. O analista explica que os bancos são sugeridos porque os empréstimos têm subido fortemente, o risco de inadimplência tem caído, e isso deve afetar positivamente o lucro das instituições. Além disso, graficamente, as ações dos grandes bancos já romperam o topo feito em 2008 e estão em clara tendência altista, de acordo com o analista.

O diretor da Leandro Stormer lembra que, se o investidor procura seguir a média do mercado, ou seja, a carteira do Ibovespa, é necessário ter pelo menos posições em Vale, Petrobras e BM&FBovespa, que vem ganhando cada vez mais importância na carteira. Outras posições imprescindíveis para 2010 são no setor de construção, que através da análise dos gráficos, se percebe claramente com uma tendência de alta. “Se para o investidor é importante ganhar com dividendos, o setor elétrico deve compor a carteira também”, lembra o analista. Entre a composição dos papéis, ele sugere não só se posicionar em empresas blue chips, mais líquidas e maiores, mas também em papéis que ele chama de minoritários ou small caps. No setor de energia elétrica, dois exemplos seriam a Coelci 5 e a AESTiete.
 

25/01/2010
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 

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