Investidor empilhando moedas

Fundos superam tensão eleitoral e voltam a atrair investidores

24 OUT, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A renda fixa voltou a ser o carro-chefe entre as classes de fundos de investimento neste ano. Conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a classe foi a que mostrou o melhor resultado em setembro, com captação líquida de R$ 3,6 bilhões, seu segundo mês consecutivo de destaque. No terceiro trimestre do ano, as captações líquidas desta categoria alcançaram R$ 14,8 bilhões, frente aos R$ 23,6 bilhões negativos no segundo trimestre.

"O mercado passou por um período de grande volatilidade neste ano, e a tendência é que as maiores surpresas do cenário eleitoral tenham sido antecipadas", afirma Carlos André, vice-presidente da Anbima.

Ele avalia que os gestores, agora, estão com suas posições ajustadas para qualquer que seja o resultado das eleições.

"A expectativa é que a indústria continue com captações positivas, repetindo os resultados do terceiro trimestre", projeta o executivo.

Os fundos de previdência ficam em segundo lugar na captação no levantamento da Anbima, com R$ 5,4 bilhões neste trimestre ante R$ 8,2 bilhões no mesmo período de 2017. Na sequência, estão os multimercados, com R$ 4,1 bilhões frente a R$ 35,4 bilhões de julho a setembro do ano passado. No acumulado até setembro, a indústria, como um todo, soma R$ 71,1 bilhões – os fundos de ações e multimercados correspondem a 83% deste volume.

Quanto à rentabilidade, o destaque ficou com os fundos de prazos mais longos – o tipo Duração Alto Grau de Investimento teve valorização de 7,2% no período. Nos fundos de ações, apenas os tipos Índice Ativo, Investimento no Exterior e Livre apresentaram retornos positivos, com 1,7%, 1,3% e 0,4% – os demais foram impactados pela trajetória negativa do Ibovespa.

Apesar dos bons índices no terceiro trimestre no comparativo anual, a captação líquida teve queda de 74% na comparação com o mesmo período de 2017.

"A baixa volatilidade em 2017, aliada ao cenário de queda da taxa de juros, estimulou os investidores a buscarem maiores retornos", disse Carlos André.
Como escolher o melhor fundo

Conforme a London Capital, que trabalha na consultoria de investimentos e planejamento financeiro, a escolha de um bom fundo deve passar necessariamente com a análise dos riscos do produto (se são fundos de renda fixa ou se têm risco de flutuação maior, como investimentos em câmbio ou ações, por exemplo). Também é necessário avaliar a taxa de administração, uma vez que cobranças acima de 1% costumam corroer uma parte significativa do rendimento. Aplicações iniciais baixas podem encontrar fundos com taxas impeditivas.

Em material enviado aos clientes, a London alerta para a importância em avaliar também a taxa de performance, que é cobrada quando o gestor do fundo alcança determinados objetivos com o papel. Se um determinado benchmark era de 11% e o fundo de investimento teve uma performance de 16%, então há um excedente de 5%. Se a taxa de performance é de 10%, então além do pagamento da taxa de administração há um acréscimo de 0,5%.