Eletrobras - É hora de investir?

Sob enrosco político, Eletrobras vira investimento para quem tem nervos de aço

23 MAI, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Os resultados da Eletrobras reportados na semana passada deixaram os analistas com uma convicção: ainda há muitas pontas soltas para que se tenha noção mais clara do futuro da empresa. A estatal de energia registrou o minguado lucro líquido de R$ 56 milhões no 1º trimestre, uma queda de 96% na comparação com os três primeiros meses do ano passado, quando houve lucro de R$ 1,378 bilhão. Os fatores a frearem os resultados incluem perdas no segmento de distribuição e maiores provisões. A receita operacional líquida caiu 3% no trimestre, somando R$ 8,59 bilhões.

"Assustadora não é a queda, mas o mercado não ter se assustado tanto. De certa forma, os resultados mais mornos já eram esperados e vinham sendo precificados ao longo do mês com perdas acumuladas de 6,93%, 2,52% na ELET6 até o último dia 16", avalia Louise Barsi, analista da Elite Corretora.

O trimestre foi turbulento, em termos políticos, o que respingou nas expectativas do mercado. Entre as questões que faltam ser concretizadas estão a privatização da companhia e a estratégia de se desfazer de ativos com pouca rentabilidade.

"Enquanto estas questões não forem sanadas, a análise de valor da empresa estará distorcida e nada vale para efeito de comparação com seus pares no mercado", diz a analista.

O ponto mais aguardado por todos investidores são os desdobramentos do plano de privatizar a Companhia. Conforme a Rico Investimentos, o Governo Federal já traça suas estratégias e pretende se valer de uma norma do regimento interno da Câmara dos Deputados para acelerar a votação da proposta de privatização da Eletrobras. Por decisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o projeto tramita de forma conclusiva na comissão. Um grupo de 52 deputados pode apresentar recurso para que o projeto tenha que ser analisado pelo plenário da Câmara, mas a votação, neste caso, seria apenas uma, a do recurso. Se rejeitado, o que depende apenas da maioria simples, o texto seguiria direto para o Senado. Com essa regra, o governo evitaria um debate mais longo, com a discussão e depois votação de dezenas emendas.

"Se bem sucedida, essa pode ser uma alternativa para viabilizar a privatização da empresa ainda esse ano, embora os articuladores do PL na Câmara se queixem do prazo apertado e da desmobilização do Governo para aprovar o projeto. A intenção é terminar a votação até o fim de maio, e o do recurso, em junho", detalha Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

Na avaliação da Elite, a inclusão da Eletrobrás no Programa Nacional de Desestatização foi passo fundamental para o futuro da empresa, e deve favorecê-la, a exemplo de outras companhias já privatizadas.

"Somente então poderemos entender o real potencial da companhia, que deve priorizar as participações por rentabilidade, e não por responsabilidade social", aponta Louise.

Outra estratégia que avança é de se desfazer dos ativos de pouca ou nenhuma rentabilidade para a Companhia. É esperada para junho a aprovação do edital que inclui a privatização de seis distribuidoras: Amazonas Distribuidoras de Energia, Centrais Elétricas de Rondônia, Companhia de Eletricidade do Acre, Boa Vista Energia, Companhia Energética de Alagoas e Companhia de Energia do Piauí.

"Em nossa opinião, trata-se de um deal breaker, já que o segmento de Distribuição drena de maneira significativa os resultados da companhia. Isto fica claro no Ebitda Consolidado por segmento, em que os custos e despesas operacionais são superiores à receita líquida auferida: o potencial gerador de caixa torna-se consumidor em R$ 1,1 bilhão", afirma a analista Louise Barsi.

Apesar das iniciativas aplaudidas pelo mercado, o cenário é considerado nebuloso em razão da indefinição do viés do próximo governo, conforme a Elite.

"É fato que a equipe econômica, independente de sua ideologia, deverá mexer neste e em outros vespeiros, motivo pelo qual recomendamos Eletrobras apenas para investidores extremamente arrojados. Isto porque a tese de investimento é baseada apenas na expectativa futura de um melhor arranjo de governança para a Companhia, ainda sem garantias de que estará livre de seu tentáculo político", analisa Louise.